Santa Evita

Não chore por mim, Argentina!

No meu post em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, eu apresentei várias mulheres argentinas que se destacaram em diferentes épocas e por diversos motivos. Mas Eva Perón, sessenta anos após sua morte, continua sendo a mulher argentina mais famosa de todos os tempos.

Evita na época que era atriz.

Evita passou de atriz/cantora a primeira dama, onde se consagrou como a mãe dos pobres. Sua passagem pela vida política na Argentina foi muito curta (mesmo porque ela morreu muito jovem, aos 33 anos) porém foi fulminante.

Para que tenham uma idéia, ela já participava do movimento sindicalista em 1943, mas sua vida política começou mesmo quando conheceu o Coronel Juan Domingo Perón em 1944. Oito anos depois, no dia 26 de julho de 1952, Evita faleceu em consequência de um câncer de colo de útero.

A morte prematura de Eva e o culto à sua personalidade imposto pelo governo (que começou bem antes, quando ainda era viva e foi declarada Chefe Espiritual da Nação) contribuíram para transformá-la em mártir, quase uma santa. O que aconteceu com o seu corpo depois que ela morreu é uma história curiosamente mórbida que foi contada  no livro Santa Evita, do jornalista Tomás Eloy Martinez (Li este livro em 2005, muito recomendável para quem queira saber mais sobre esta história).

A mãe dos descamisados da Argentina

O sequestro do corpo

No dia que Evita morreu, Perón encomendou a um famoso anatomista espanhol que o corpo fosse embalsamado, um trabalho que foi considerado perfeito na época. O velório, um dos mais longos da história, durou 13 dias na Câmara Legislativa e 2 dias mais no Congresso. Multidões foram atraídas para dar o último adeus, a CGT (Central Geral dos Trabalhadores) declarou um paro total das atividades até o dia 29 de julho e por um mês inteiro a programação das rádios era interrompida por um locutor que anunciava: São vinte horas e vinte e cinco minutos, hora em que Eva Perón passou à imortalidade.

O velório de Evita atraiu multidões.

Quando o período de luto oficial finalmente passou, o corpo embalsamado de Evita foi colocado em exposição no prédio da CGT, enquanto se analisava a construção de um mausoléu, que nunca chegou a ser construído.

Em setembro de 1955, um golpe militar (foram vários durante a história da Argentina) tirou o presidente Perón do poder. Os militares anti-peronistas, que odiavam Evita e que temiam o poder que ela tinha mesmo depois de morta, resolveram sequestrar o corpo e fazê-lo desaparecer.

Nos anos seguintes, ela foi levada secretamente de um lado para outro: circulou em caminhonetes que estacionavam nas ruas, foi alojada no escritório da SIE (Serviço de Informações do Exército), na casa do major Eduardo Arandia (que uma noite matou sua esposa grávida por acidente, pensando que era alguém que tinha entrado em sua casa para levar o caixão de Evita) e por muito tempo ela ficou escondida atrás da tela de um cinema do centro portenho.

A localização do corpo era tratada como uma questão de segredo de Estado e muitas versões do que tinha acontecido circulavam na boca do povo. Tanto Perón, que estava exilado, quanto o movimento peronista popular, exigiam a reaparição  de Evita.

Finalmente, quando ficava cada vez mais difícil ocultar o segredo, os responsáveis pelo sequestro decidiram despachar o caixão para a Itália. Usando documentos falsos, Evita foi enterrada em um cemitério de Milão com o nome de Maria Maggi de Magistris, onde ficou até setembro de 1971, quando seu corpo foi devolvido para Perón, que o enterrou na Espanha.

Evita finalmente foi repatriada e enterrada no Cemitério da Recoleta em 1976, em um túmulo que pertence à família Duarte e que foi construído à prova de roubos. Hoje em dia é uma das maiores atrações turísticas da cidade.

Evita nos dias atuais

Lisa Simpson, a Evita de Springfield.

A influência de Evita permanece até hoje, tanto na Argentina quanto no mundo todo. Sua vida e sua morte foram contadas inúmeras vezes na literatura, no teatro, na música e no cinema.

O musical Evita é encenado desde 1978 tanto em Nova Iorque como em Londres, e o filme que fizeram baseado nele teve nada menos que Madonna como protagonista, depois que ela lutou muitos anos para conseguir este papel.

E ontem a Presidenta Cristina Kirchner lançou uma edição comemorativa do bilhete de cem pesos com a imagem de Evita. É a primeira vez que colocam a figura de uma mulher no dinheiro argentino, e esta nova nota substituirá aos poucos as notas de cem pesos que circulam atualmente.

Novo bilhete de cem pesos

Ufa, este post ficou longo! Mas com tanta informação interessante a respeito de Evita, seria impossível fazer algo mais resumido. Amada cegamente por uns e odiada fervorosamente por outros, ninguém fica indiferente quando ela é o assunto. Eu acho que o único argentino que pode causar uma comoção quase tão grande quando morrer será o  Maradona, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto a isso. O que vocês acham? 

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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