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Despedida da Daisy!

P1090605Pessoal, é com um quê de tristeza que venho me despedir de vocês. Lamentavelmente, tenho andado com pouco tempo disponível, e por conta disso não tenho podido cumprir com a periodicidade das postagens.

Peço desculpas pelos longos períodos ausente, em que não escrevi uma linha sequer. Como nem sempre foi possível trazer novidades, pensei bastante e decidi dizer adeus ao blog. Mas fico torcendo para que logo apareça outra brasileira, moradora da China, com mais criatividade e disponibilidade de tempo que possa seguir escrevendo pra vocês.

Foi muito legal e interessante a experiência de escrever para o Grama da Vizinha. Gostei de compartilhar com vocês um pouquinho sobre a vida em Hong Kong, sobre suas peculiaridades e costumes. E apesar de nunca ter superado a barreira que me impediu de escrever textos mais pessoais, espero que o pouco que escrevi, de alguma forma, tenha servido para ajudar alguém ou, no mínimo, para matar a curiosidade acerca da vida na China. Mesmo deixando de escrever no blog, estarei sempre por perto, do lado de cá como leitora, acompanhando os textos das meninas que ficam, e sempre que possível estarei comentando também.

Gostaria de me colocar à disposição de vocês para esclarecer as dúvidas que por acaso tenham ficado, e caso necessitem de alguma informação, não hesitem em me contactar – se estiver dentro das minhas possibilidades, ficarei muito contente em ajudar.

Quero agradecer às pessoas que acompanharam os meus textos, sobretudo àquelas que pararam um bocadinho para deixar algum comentário – pois neste mundo moderno, onde todos vivem numa correria danada, é muito importante saber que alguém gastou alguns minutinhos de seu dia pra escrever um recadinho carinhoso – por isso agradeço a todos de coração. Agradeço às jardineiras Sâmela e Maira pela oportunidade que me deram, por terem me recebido neste espaço com muito carinho. Um muito obrigada também à nossa jardineira da Argentina, Fernanda Galli, com quem tive um pouco mais de contato.

Espero que o blog siga dando frutos – que as jardineiras que ficam continuem entusiasmadas e contando suas aventuras com muita criatividade e bom-humor, como sempre foi.

Continuem firme e forte, meninas, vocês têm capacidade pra isso.

Um grande abraço! ;)

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Chuva, fila e Andy Warhol!

warhol4Uma das coisas que mais gosto em Hong Kong é a possibilidade de fazer cada dia uma atividade cultural diferente. Mas isso só é possível porque a cidade oferece muitos eventos nacionais e internacionais: festivais pra cá, feiras pra lá, torneios pra acolá, o que torna a vida cultural bastante diversificada.

Eu, por exemplo, adoro esse tipo de programa, só que a maior parte da população também gosta… Isso significa que é preciso ter muita paciência e boa vontade pra enfrentar a maratona de filas pra essas atividades, sobretudo durante os fins de semana.

No domingo passado, achei que já estava na hora de dar uma chegadinha lá no Hong Kong Museum of Art - onde está sendo exibida a exposição 15 Minutes Eternal, do americano Andy Warhol. Uma excelente ideia pra um Domingo de Páscoa chuvoso, sem nada interessante pra fazer em casa.

Pessoal, tomei um susto, a  fila para comprar as entradas estava enorme. As pessoas, que não se intimidaram com a chuva, iam avançando na velocidade da lesma… E eu lá, firme e forte, esperando chegar a minha vez. Finalmente consegui entrar no museu, foi aí que percebi que lá dentro também havia fila para entrar nas salas da exposição. Precisei ficar esperando na porta até que as pessoas que estavam dentro fossem saindo, coisa normal por aqui! Acontece que eu ainda nao me acostumei com a quantidade de pessoas, comecei logo a reclamar e a me queixar, o que me fez levar um bom puxão de orelha do marido que, ao contrário de mim, é  bem paciente.

Eu não sei se todos vocês conhecem Andy Warhol, mas acredito que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram falar nada sobre esse artista, já devem ter visto imagens suas estampadas por aí. Como por exemplo, aquela famosa fotografia da Marilyn Monroe (trabalhada com cores bem espalhafatosas) e também a imagem da lata de sopa Campbell’s, lembraram? 

Pois é, essas também eram as únicas imagens que eu associava a ele: a lata e Marilyn!!

warhol

Marilyn Monroe

Black Bean 1968 by Andy Warhol 1928-1987

A famosa lata de sopa!

Andy Warhol, auto-retrato

Andy Warhol, auto-retrato

Warhol era muito criativo, iniciou sua carreira como ilustrador comercial, mas sua sensibilidade para a arte contemporânea, sua experiência e habilidade foram fundamentais para preparar o caminho pra um ambiente novo na arte americana. É impossível pensar em Pop Art sem pensar em Andy Warhol. A exposição 15 Minutes Eternal marca o aniversário de 25 anos de sua morte. Seu rico repertório de obras está agora aqui em Hong Kong à disposição de quem tiver tempo e interesse para conhecê-lo.

Mas, qual a razão de falar sobre a exposição de um artista que nem chinês era? Então, na verdade o post não é só pra falar sobre Warhol, mas para contar pra vocês o quanto Hong Kong é uma cidade interessante e cosmopolita. É também pra dizer que Hong Kong, culturalmente, é uma cidade rica. Que há programas culturais o tempo todo. Aqui, nós não ficamos limitados a conhecer apenas a arte chinesa, porque tem de tudo, para todos os gostos e para todas as idades. Só fica em casa entediado e sem fazer nada interessante quem realmente quer.

E, na saída, depois de ter ficado bastante impaciente e irritada por conta da quantidade de público, dei de cara com uma frase do próprio Andy Warhol estampada na parede do museu: Pop Art is for everyone!

É verdade, Warhol, desculpa aí o mau jeito!

 

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Tem carnaval na Ásia? Tem sim, senhor!

Foliã no carnaval de Taiwan

Dia desses, estava eu aqui pensando sobre a alegria que reina no Brasil no momento, na galera se preparando pra curtir o carnaval, na preparação das fantasias e na dedicação das pessoas que trabalham dia e noite nos barracões das escolas de samba, e fiquei assim: meio borocoxôNão que eu seja fã de carnaval, muito pelo contrário, me acho desanimada demais pra isso. Até já tive a oportunidade de desfilar em uma escola de samba de São Paulo (faz  muito anos), mas vou confessar pra vocês: acho que não repetiria o feito.

algumas fantasias são confeccionadas por brasileiros

Tá, mas depois de todo esse blá blá blá, vocês devem estar pensando: se a fulana diz não gostar de carnaval – por que cargas-d’água ficou borocoxô? Calma, gente, eu explico: Eu quis dizer que, apesar de não ser lá muito animada pra encarar a maratona de desfiles, blocos, bailes e afins, a sensação de alegria que invade o Brasil nessa época do ano me agrada muito. Eu gosto de ver como as pessoas conseguem esquecer por um momento suas dificuldades e cantam, e sambam, e são felizes. Pode até ser uma falsa felicidade, mas eu sinto uma saudade imensa dessa atmosfera de animação.

E agora, por estar tão longe de casa e saber que por aqui não rola nada parecido, bateu aquela nostalgia… Acho que quem mora há muito tempo fora do Brasil me entende, né? Mesmo aquelas pessoas, que como eu, não curtem tanto o carnaval.

Bom, resulta que estava eu sentada numa cafeteria divagando sobre isso: sobre como o povo brasileiro é único, divertido, alegre, animado, de bem com a vida e tal… E meus olhos foram certinho na revista que minha vizinha de mesa estava lendo. A matéria dizia assim:

“Você não precisa atravessar o mundo para ir ao Rio, no Brasil, curtir o Carnaval, quando há uma festa similar em Taipei, Taiwan todos os anos…”

Como assim? Meu queixo caiu!! E como a minha curiosidade aliada à saudade ninguém segura, nem preciso dizer que corri  pra procurar a bendita revista!! Pois é, li tudinho, me informei e pronto, foi suficiente pra espantar a tristeza pra lá. E é isso aí, minha gente, do lado de cá também rola uma festa um pouco parecida com o nosso famoso carnaval. Quando comecei a ler, achei esquisito pra caramba, porque quando a gente pensa em China, carnaval não é a primeira coisa que nos vem à cabeça, não é verdade?

Mas parece que eles têm investido muito nesse evento. A primeira festa de carnaval em Taiwan ocorreu em 2002 e teve apenas 200 participantes, já em 2012 esse número mudou pra 5.000 participantes. E a cada ano que passa o evento só tem crescido e atraído pessoas de todas as idades e estilos de vida. O carnaval de Taiwan tem um pouquinho do carnaval do Rio de Janeiro misturado com elementos do Mardi Gras, da Nova Orleans, que são combinados com elementos típicos da cultura de Taiwan. É uma misturada danada,  mas mesmo assim eles fazem sua festa e se divertem.

Folião no carnaval de Taiwan

Será que a chinesinha sabe sambar?

Ainda na cafeteria, rebobinei a fita e voltei anos atrás no meu desfile em São Paulo: além da Vai Vai, escola na qual desfilei, ter ficado em penúltimo lugar e por pouco não ter sido rebaixada para o grupo de acesso (acho que ainda por cima sou pé frio… rsrs), a minha bota apertou e fez um calo enorme; a fantasia era muito grande e pesada e me fez uma ferida no ombro; choveu o tempo todo e molhou todas as penas o que fez a fantasia pensar ainda mais; a fila pra comprar uma garrafinha de água era quilométrica e a do banheiro nem se fala; pegar um táxi pra voltar pra casa era quase impossível; tentar enfiar a fantasia com tantos penduricalhos no porta mala do tal táxi um sacrifício, e conseguir chegar em casa depois do exaustante desfile foi uma odisséia.

É, pessoal, acho que senti saudades apenas da alegria mesmo, quando penso no trabalhão que deu todo o preparo prévio pra desfilar e participar de uma festa assim, prefiro ficar aqui, quietinha no meu canto, só saudadeando!! Mas, de qualquer forma, respeito quem curte e tiro o chapéu pra aquelas pessoas que têm energia de sobra pra pular os quatro dias de carnaval.

E, pra quem estiver do lado de cá e quiser relembrar um pouquinho dessa festa tão popular, não custa nada dar um pulinho em Taiwan. Mas eu aviso logo, apesar de algumas fantasias serem confeccionadas por brasileiros e tal…  Quem quiser vir que venha, mas por seu próprio risco – eu não posso garantir que a alegria e o rebolado sejam os mesmos… Rsrs ;)

Aproveitem o Carnaval, pessoal!!

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Cuidado que lá vem cuspe!

Sempre que eu moro ou visito algum lugar fora do meu país de origem, fico atenta aos costumes dos nativos. Faço isso porque tento entender antes de fazer qualquer crítica ou colocação negativa sobre a cultura dos outros. E foi pensando nisso, que há aproximadamente um ano e meio, venho observando os chineses e seu modo tão diferente de ser.

Não posso deixar de dizer que entre tantos costumes peculiares, a estranha mania de cuspir e arrotar em público me chamou bastante a atenção. Só que chamou minha atenção de uma forma não tão positiva – ou seja, me incomodou e continua incomodando muito.

Por favor, não cuspa no chão!

Para nós, ocidentais, esse tipo de comportamento é feio, deselegante e fere as normas da boa educação e higiene, certo? Mas, e para os chineses?

Para eles, acreditem, é a coisa mais natural do mundo, não se sentem nem um pouco constrangidos em realizar tal tarefa em público. E foi essa falta de constrangimento que me levou a querer saber o porquê de fazerem isso o tempo todo, em qualquer lugar, com a maior naturalidade. Então, fui atrás de fuçar algumas informações e descobri que esse costume está relacionado com uma tradição milenar que diz: se existe algo dentro de seu corpo que o incomoda e que, de alguma forma, possa te causar mal, você deve expulsá-lo imediatamente… Tá! Entendido e registrado, mas confesso que  continuo achando estranho.

Vocês devem estar imaginando as milhares de situações desagradáveis que um estrangeiro recém-chegado em terras chinesas (como eu há um ano e meio) passa. Por exemplo, são cuspidas e arrotos que te pegam completamente desprevenida!! Sim, minha gente, não é brincadeira, isso na China é coisa séria… Rsrsrss ;) !!!

É bem verdade que aqui em Hong Kong eles são um pouco mais cuidadosos, mas basta atravessarmos a fronteira e entrarmos na China Continental, para notarmos como esses hábitos estão ainda mais arraigados no dia a dia dos chineses. É uma prática tão comum entre eles, mas tão descabida para um estrangeiro, que nem tem como não causar uma sensação de desconforto. Vocês podem até achar que eu estou exagerando, mas quem já esteve na China sabe muito bem do que eu estou falando!!

Já deu pra notar que não é nada fácil viver no país dos outros, não é nada fácil se enquadrar e conviver com costumes que a gente desconhece e tem 100% de certeza que nunca vai (e nem faz questão) de aprender.

Apesar de achar que devemos nos esforçar ao máximo para que a adaptação aconteça, apesar de achar importante se livrar de preconceitos, abrir a cabeça para o novo e aprender a conviver com as diferenças  - estou ciente de que com alguns hábitos, por mais esforço que façamos, nunca seremos capazes de nos habituar.

Eu sabia que  morar em um país com uma cultura tão distinta da minha, não seria assim tão fácil. Sabia também que teria que conviver com coisas boas e com aquelas não tão boas assim… e digo pra vocês: eu tentei (juro que tentei) agir com naturalidade diante dessa mania tão descabida, mas não deu!!

Sei que faz parte da cultura e respeito isso, mas os chineses que me desculpem, com esse hábito (tão tipicamente chinês) a expatriada aqui nunca conseguirá se adaptar… Não mesmo!!

E você, já passou por alguma situação constrangedora no lugar em que vive? Conte pra gente, adoraríamos saber!

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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A árdua tarefa de contratar uma empregada

Depois de bastante tempo afastada do bloguinho, volto com uma novidade: finalmente consegui contratar uma empregada doméstica eficiente.

Posso dizer que deu trabalho encontrar uma pessoa que me agradasse e, trabalho maior ainda, colocá-la no meu ritmo.

Empregadas em Hong Kong

No início eu não queria uma empregada fixa, achei que por morar em um apartamento pequeno conseguiria me virar sozinha – que bastava pegar uma faxineira duas vezes por semana que todos os meus problemas estariam solucionados. Só que as coisas não saíram como eu esperava e no final das contas precisei mesmo contratar uma.

O que mais dificultou a minha escolha foi achar que jamais me adaptaria a alguém com costumes tão diferentes dos meus; eu tinha medo de ficar insatisfeita e ter que trocar de funcionária várias vezes. Então, pra evitar esse tipo de problema, decidi arregaçar as mangas e pegar no pesado, ou seja, ensinar TUDO, principalmente preparar comida que não fosse asiática, porque comer comida chinesa todo santo dia estava fora de cogitação … rsrsrs. Eu acabei dando sorte, contratei uma senhorinha muito esforçada, e o “curso de afazeres domésticos” que fui obrigada a ministrar não foi em vão, pois ela aprendeu direitinho.

A maioria das empregadas domésticas vem das Filipinas, dizem que há aproximadamente 160,000 delas trabalhando em Hong Kong, mas há também mulheres da Indonésia, Tailândia e Srilanka. Muitas falam inglês, o que facilita bastante a nossa vida por aqui.

A minha idéia inicial de ter apenas uma  faxineira foi por água abaixo, porque descobri que é ilegal trabalhar como diarista em Hong Kong. Contratar por hora pode gerar um problemão, tanto para a

Empregada filipina protestando em HK

Empregada filipina protestando em HK

empregada (que pode ser deportada) quanto para o empregador. E eu, como morro de medo de ir parar no xilindró, desisti rapidinho dessa loucura, fiz todos os trâmites necessários e legalizei a minha. ;)

Elas não ganham muito, o salário mínimo é  3.900 doláres de Hong Kong, aproximadamente 1.050 reais, mas além do salário recebem também:

- Um seguro de saúde;

- Um quarto (caso não tenhamos espaço em casa, somos obrigados a      pagar um aluguel para que morem fora);

- Uma quantia extra para alimentação.

- Uma viagem  para seu país de origem a cada dois anos.

 

As empregadas trabalham de segunda a sábado, fazem todo o trabalho da casa: limpam, cozinham, lavam, passam, cuidam de crianças, vão ao mercado, passeiam cachorros, etc…

Muitas delas deixam marido, filhos no seu país de origem e ficam aqui trabalhando por anos para economizar e enviar dinheiro para manter a família; elas levam uma vida dura, realmente precisam lutar para conseguir seguir adiante. Há pouco tempo houve uma grande manifestação das empregadas domésticas – elas pediram melhores condições de trabalho e visto permanente em Hong Kong para aquelas que já vivem aqui há muitos anos.

O domingo é seu único dia de folga, nesse dia Hong Kong é invadida por milhares de domésticas, que se juntam em vários pontos da cidade pra conversar, jogar cartas e descansar… Elas passam o domingo inteiro fora de casa e só regressam  à noite.

Empregadas em seu dia de folga

Empregadas em seu dia de folga

A minha ajudante é filipina, já vai fazer seis meses que está comigo, passou o período de teste e foi aprovada. Tenho percebido que com boa vontade e paciência, de ambas as partes, as coisas têm dado certo. Espero que continuem assim e que eu não precise buscar outra durante todo o período que ficarei por aqui. :)

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Dia Nacional da China

“Mapa-bandeira” da China

Na última segunda-feira os chineses comemoraram seu dia nacional. A data foi marcada por grandes reuniões, discursos políticos e desfiles militares em várias partes do país. O dia 1 de outubro foi escolhido como aniversário da nação em 1949. Nesse dia, o povo chinês, sob a direção do Partido Comunista da China, anunciou a vitória na Guerra da Libertação.  Na cerimônia, o governo de Mao Tse Tung declarou solenemente a fundação da República Popular da China e levantou a primeira bandeira nacional do país.

Mao Tse Tung

Nos últimos anos o governo chinês aumentou o feriado do dia nacional para uma semana, a qual chamou de “Semana de Ouro.” Esse feriado é excelente para o mercado de turismo e, de acordo com o jornal South China Morning Post, a China fatura muitíssimo com a venda de entradas para as atrações turísticas durante esse período. A semana dourada começa no dia 1 de outubro e vai até o dia 7, dando aos chineses tempo suficiente para visitar familiares em diferentes partes da China. De fato, essa é uma época em que milhares de pessoas viajam pelo país, e não apenas os nativos, muitos turistas estrangeiros também se juntam aos viajantes e exploram a região.

Quanto ao festejo do dia nacional, cada cidade dá o seu melhor, Pequim, por exemplo, transforma-se no cenário de um dos maiores desfiles militares do país; pessoas chegam de todos os lados para presenciar tanto o desfile quanto a cerimônia da bandeira.

E Hong Kong, como toda cidade chinesa, não podia ficar de fora das celebrações; na segunda-feira bem cedinho houve a cerimônia da bandeira, ocorrida no Golden Bauhinia Square, em Wan Chai, com a presença de políticos e diplomatas. E, à noite, a comemoração ficou por conta dos fogos de artifício, lançados de barcos desde o Porto Victória.

O espetáculo, que durou aproximadamente 23 minutos, começou às 21 horas e encantou a chineses e estrangeiros. Mas, além das comemorações festivas, Hong Kong foi também palco de protestos: um grupo de manifestantes se reuniu em frente ao escritório chinês pedindo por um auto-governo.

Desfile militar em Pequim

Sair de casa durante esse feriado não é uma tarefa muito fácil, tanto restaurantes como trens e metrôs ficam lotadíssimos, sobretudo nas áreas onde é possível presenciar os fogos de artifício. É uma multidão de chineses e turistas jamais vista. Eu tentei ir à Avenida das Estrelas, em Kowloon, para assistir à queima de fogos e me assustei com a quantidade de pessoas que teve a mesma ideia. Havia filas quilométricas para tomar ônibus ou taxis, foi preciso abrir caminho à força… rsrs

Apesar de todo o esforço, tive que me contentar em assistir aos fogos meio de longe – por causa do tumulto foi impossível me aproximar do porto. Mas, mesmo com toda a correria, empurra-empurra e cotoveladas,  foi bom ver de perto como os chineses comemoram seu dia nacional.

Fogos de artifício em Hong Kong

Em 2012 eles comemoraram 63 anos da nação, e pelo que pude perceber, as celebrações são semelhantes às que fazemos no Brasil. Acredito que a diferença maior está mesmo no fato de o governo presentear o povo com sete dias de feriado e, claro, a quantidade exorbitante de pessoas que sai às ruas.

É sempre muito bom fazer parte de uma festa como essa – é interessante perceber as diferenças e semelhanças que há entre a comemoração chinesa e a brasileira. Presenciar algo assim é uma experiências gratificante… Vale muito a pena, muito mesmo! :)

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Transporte público: uma forma segura e barata de se movimentar em Hong Kong.

Logo que mudei pra Hong Kong comecei a avaliar qual a melhor forma de me movimentar pela cidade. A primeira opção foi comprar um carro, mas logo a ideia foi descartada, porque se por um lado me daria comodidade, por outro me causaria dores de cabeça, já que aqui a possibilidade de encontrar um lugar na rua pra estacionar é zero, sem falar que o preço para apenas uma horinha em qualquer estacionamento privado tem peso de ouro. :(

A segunda opção seria utilizar o transporte público. No início eu torci um pouco o nariz pra essa possibilidade, só de pensar em ter que ficar pendurada em ônibus lotado me deixou completamente desanimada… mas o que eu até então não sabia, é que eu não precisaria ficar dependurada em lugar nenhum, porque Hong Kong tem um sistema de transporte confiável e bastante seguro. Pra ser bem sincera, o transporte público daqui é o mais eficiente e moderno que já utilizei até agora.

Metrô de Hong Kong

É muito fácil ir a todos os lugares, pois o metrô, chamado de MTR (Mass Transit Railway), abrange praticamente toda a ilha. Costuma ficar bastante lotado, afinal aqui tem gente saindo pelo ladrão, mas os trens saem com muita frequência em nove linhas, por isso a quantidade de pessoas acaba não sendo um grande problema. Tem inclusive uma linha (a Kowloon Canton Railway) que chega até a fronteira da China Continental e outra (Aiport Express) que conecta o centro da cidade com o aeroporto.

Os ônibus e micro-onibus são eficientes, só que por conta do tráfego intenso costumam ficar muito lentos, por isso sempro evito utilizá-los no horário de pico.

Há também bondes, andei neles apenas pra conhecer os de dois andares (que dizem só existir aqui em Hong Kong), mas vou confessar: não gostei!! Circulam muito devagar e no verão são quentíssimos. Já as balsas levam para outras ilhas, são rápidas, climatizadas, econômicas e nos permitem desfrutar de excelentes vistas.

Outra opção é o Peak Tram – uma espécie de bondinho com uma linha fixa com destino a Victoria Peak, o ponto mais alto da ilha. É ótimo pra quem vem fazer turismo, porque além de ser rápido, a vista que se pode ter durante a viagem é única. Eu não gosto muito de usá-lo no dia a dia, já o fiz algumas vezes, mas acho que não compensa porque está sempre lotado de turistas.

Peak Tram

Para quem não gosta do transporte público tradicional, há os táxis. São abundantes e as tarifas baratas.

Muitos motoristas na ilha falam inglês, mas já aconteceu de tomar algum táxi cujo motorista não entendia absolutamente nada. Nesse caso, é necessário o passageiro ter o endereço escrito em chinês ou o motorista liga do seu celular a um operador e o passageiro explica o endereço por telefone.

Os táxis não são muito novos, já tomei alguns bastante velhinhos inclusive, mas circulam durante à noite, são confiáveis para usar a qualquer hora.

É obrigatório colocar o cinto de segurança, a falta deles obriga o passageiro a pagar uma multa de 5.000HK, o equivalente a 1.300 reais. Eu nunca tentei ficar sem o cinto pra saber se a multa é mesmo cobrada ou é apenas pra assustar…

Bonde de dois andares

Ah, outra curiosidade dos taxistas: para usar o bagageiro é um pouquinho mais caro, eles acrescentam 5HK ao preço da corrida por cada volume que é depositado no porta-malas. Mas, apesar disso, andar de táxi em Hong Kong compensa. Esse é o meio de transporte que mais utilizo, salvo em dias de chuva, que encontrar um táxi livre é mais difícil que achar agulha no palheiro.

Para quem vive ou vem pra passear, percorrer a cidade é facílimo e confortável, tanto faz pegar trem, metrô, ônibus ou balsa… o transporte público daqui realmente funciona e, o mais importante, é barato.

 

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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E o verão está chegando…

Eu não sei vocês, mas eu tinha uma impressão um tanto equivocada de Hong Kong, achava que era ideal para trabalhar, curtir a noite e fazer compras, nada mais!
Ledo engano, minha gente, a cidade é muito conhecida por seus arranha-céus, seus shoppings e sua vida agitada, mas além disso tem também muitos parques, jardins, reservas naturais e  ótimas praias… Eeeeba!!! ;)

E pra combinar com praia, nada melhor que calor, coisa que não falta por aqui nesta época do ano. A cidade já começou a esquentar – e quando eu digo esquentar é esquentar pra valer: pensem naquele calorão máximo do Rio de Janeiro em fevereiro. Pensaram? Agora acrescentem uma umidade igual a da Floresta Amazônica. Pois é,  mais ou menos assim é o clima de Hong Kong no verão… rsrs
Mas, brincadeiras e exageros à parte, a cidade é realmente muito quente, os termômetros passam dos 30 graus e, com a umidade nas alturas, a sensação térmica fica quase insuportável; dá vontade de ficar sem fazer nada, bebendo água de coco (sim, aqui também tem água de coco, igualzinha a que temos no Brasil) e jogada numa rede à beira-mar.

E falando em mar, quero apresentar pra vocês as praias de Hong Kong. Ano passado quando cheguei pra morar e dei de cara com esse calor fora do comum, foram elas a minha tábua de salvação.
Essas praias que vou apresentar aqui não são necessariamente as mais famosas da região, mas de acordo com um artigo que saiu no China South Morning Post, são classificadas como as mais limpas e com a melhor qualidade de água.
Então vamos lá:

Hap Mun Bay
Sharp Island, Sai Kung: é uma das praias mais bonitas e limpas de Hong Kong, sempre aparece na lista das melhores. Acho que é pelo fato da área de Sai Kung ser menos povoada que o resto de HK. Possui vestiários simples, chuveiros, WC e ducha.

Hung Shing Yeh

Hung Shing Yeh

Hung Shing Yeh
Yung Shu Wan, Lamma Island: esta é certamente a praia mais famosa de Lamma. É conhecida por sua areia fina e água limpa. Possui vestiários, redes de segurança para tubarões e uma área pra fazer churrasco. Há também dois restaurantes e algumas lojas que vendem produtos, como bóias, biquinis, bolas, etc.

Repulse Bay

Repulse Bay

South Bay Beach
South Bay Road, Repulse Bay: esta é a minha preferida, a que vou com mais frequência. É muito popular entre os habitantes da ilha de Hong Kong. Depois de dois anos de controle da poluição e das águas residuais, todas as praias do Sul da ilha estão em bom estado.
Pode-se tomar o ônibus número 6 desde a Central até Repulse Bay. Há também estacionamento pra quem prefere ir de carro, mas aviso logo que as vagas são caras e limitadas, sobretudo durante os fins de semana.

Discovery Bay

Discovery Bay Beach
Tai Pak Wan, Lantau: já fui algumas vezes, é bem calminha e também apareceu na lista das praias mais limpas. A qualidade da água foi registrada no último relatório (em julho passado) como 1 (bom). Há muitos restaurantes e lojinhas nas proximidades, no entanto não há salva-vidas. Pra chegar é bem facinho, basta tomar a balsa (Central Pier 3) e Discovery Bay será alcançada em apenas 25 minutos.

Sheik O

Sheik O
Sheik O Road, Sheik O: esta aqui também é bem lindinha, porém acho um pouquinho longe. Há vestiários, duchas, salva-vidas, redes pra tubarões e uma área pra fazer churrasco. Eu ja fiz churrasco aqui, é muito bom e funciona direitinho. O caminho pra chegar até lá é lindo também, porém aviso que é cheinho de curvas.

Perceberam? Hong Kong não é apenas uma cidade pra curtir a noite e fazer compras, é também um lugar com muito verde e praias lindinhas. Pra quem não tem tempo nem bufunfa pra ir a países paradisíacos curtir o verão, pode ficar por aqui mesmo, dá pra aproveitar muito bem!
Huuuum – será que vai dar praia hoje? ;)

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Mixi, ex-cachorrinha abandonada!

Seguindo os passos das jardineiras Sâmela Silva e Patricia Yuri, que já contaram aqui no Grama sobre seus animais de estimação, decidi fazer o mesmo e apresentar pra vocês: Mixi, a cachorrinha mais linda do mundo!

Meus filhos pediam o tempo todo um cãozinho (acho que quem tem filhos sempre passa por isso, né?!), mas eu também SEMPRE fazia ouvidos moucos, porque sabia que ter um animal em casa significava muito mais que comprar um bichinho qualquer e presenteá-los no Natal. Estava ciente de que ao comprar um cachorro, no pacote viriam também inúmeras responsabilidades – por isso essa decisão foi sendo sempre adiada e muito bem pensada.

Quando finalmente decidi que era a hora de ter um mascote, não fui a um Pet Shop escolher o cachorrinho de raça mais fofo da vitrine, resolvi adotar um animal abandonado! Então, um belo dia, fui visitar um abrigo de animais em São Bernardo/SP (não lembro mais o nome do local, só sei que abrigava mais de 200 animais que haviam sido recolhidos nas ruas) e voltei pra casa com uma cachorrinha muito carinhosa.

Meu amor pela Mixi foi à primeira vista. Ela estava lá, bem quietinha e amedrontada, metida em uma jaula com quatro cachorros maiores, esperando que todos terminassem de comer para só então comer o que havia sobrado. Gente, me apaixonei imediatamente! ;) Não sei dizer se foi por pena, se foi pela carinha meiga que tem ou se foi porque sempre costumo me colocar do lado dos mais fracos… Tava decidido, Mixi seria o novo membro da família!

No início ela era muito medrosa e insegura (acho que foi espancada em outros tempos), mas à medida que foi recebendo carinho e amor foi adquirindo cada vez mais confiança. Hoje é alegre, carinhosa e todo o mundo morre de amores por ela!!

A decisão de criar um animal deve ser muito bem pensada, ele não deve ser adquirido apenas como um presente porque os filhos pediram. É importante levar em consideração que realmente dá trabalho e preocupações – não se pode de uma hora pra outra jogá-lo pra qualquer lado simplesmente porque nossos planos mudaram. Temos que ter disponibilidade de tempo para cuidá-lo, sensibilidade suficiente para amá-lo e uma certa condição financeira para mantê-lo, afinal criar um animal significa também gastos.

Eu não me arrependo por tê-la adotado, reconheço que a vida antes era um pouco mais fácil, já que podíamos viajar a qualquer momento sem ter que procurar um local de confiança para deixá-la, mas com certeza a vida agora é muito mais completa e feliz. Mixi já nos acompanha em nossas aventuras há nove anos. Costumamos dizer que ela passou de uma cachorrinha abandonada para uma cachorrinha viajada, porque saiu de São Bernardo para São Paulo, foi para o Rio de Janeiro, morou em Buenos Aires e agora vive em Hong Kong (logo publicarei um post contando como foram os trâmites para trazê-la pra cá).

E é isso, apesar do trabalho e preocupação que às vezes temos por mantê-la conosco – o amor que essa cachorrinha linda dispensa à sua família compensa todo o resto.

Ela faz parte do nosso pedacinho do Brasil em Hong Kong!

 

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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Festival Ching Ming

Como estamos na Semana Santa, decidi contar um pouquinho pra vocês sobre os preparativos dessa festa aqui do outro lado do planeta. Nessa época eu sempre costumo fazer meus rituais de Páscoa, como decorar a casa com ovos pintados e coelhinhos, esconder os chocolates para que as minhas crianças possam se divertir enquanto procuram, participar de amigo chocolate com os mais chegados e pensar em que tipo de comida preparar para o almoço da Sexta-Feira Santa.

Só que todos esses afazeres, até então comuns pra mim, perderam um pouco o encanto, pois este ano não rolou o ‘divertido amigo chocolate’ e eu não tive motivação para organizar tudo do jeito que gosto. Enfim, não houve o entusiasmo que havia quando morava no Brasil, apesar de também ser feriado e as crianças estarem em férias por conta da Semana Santa.

É a primeira Páscoa que passo em Hong Kong, por isso decidi me informar com pessoas nativas para saber como é de fato comemorada essa data em terras chinesas. O que soube é que há festejos semelhantes aos que fazemos no Brasil, mas nada muito grande já que os cristãos são minoria. No entanto, os chineses também têm uma tradição muito importante que ocorre nessa época – é o Festival Ching Ming também conhecido como Dia dos Mortos ou Dia de Recordar os Antepassados. O nome Ching Ming significa claro e brilhante e faz alusão aos dias ensolarados da primavera.

Esse dia é feriado nacional e todas as famílias chinesas mostram respeito ao visitar as tumbas de seus antepassados. Eles limpam os túmulos, retiram as ervas, retocam as inscrições, queimam incensos e realizam oferendas de comida e bebida. É na verdade uma comemoração parecida com o nosso Dia de Finados, só achei um pouco mais alegre e descontraída.

Oferendas de comida para os antepassados!

Como eu sou muiito curiosa, resolvi dar uma passadinha no Cape Collison Cementery para conferir de perto o que realmente acontece por lá. O cemitério estava bem movimentado, mas o evento parece mais um piquenique, já que a comida se come no próprio local. Não pareceu uma ocasião muito solene, percebi mais uma atmosfera informal, um tempo feliz pra passar com aquelas pessoas que já se foram.

Os vídeos abaixo mostram um pouquinho como é essa tradição:

Apesar de ter sentido falta das comemorações ocidentais, principalmente das mensagens de fé e união tão comuns nessa época do ano, foi importante e interessante conhecer algo tão diferente. Quando decidi mudar de país, já estava ciente de que muitos costumes seriam distintos e que precisaria me adaptar a isso. Acho que é muito válido tentar entender a cultura alheia, reconheço que às vezes é complicado, mas não custa nada fazer um esforço – é até uma forma de demonstrar nosso respeito e consideração pelas pessoas! Mas, pra não dizer que eu não comemorei a Páscoa, aqui em casa também rolou ovos de chocolate e peixe na Sexta-Feira da Paixão, só pra não perder o costume!

Feliz Páscoa a todos!!  ;)

Daisy Schäfer, direto de Hong Kong, China.

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