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Desafios e dicas da vida profissional de um estrangeiro em Moçambique

Faz 3 meses e 13 dias que voltei para o Brasil, mas como eu esperava, o bloguinho ainda rende frutos! :) Até hoje recebo inúmeros pedidos de auxílio de pessoas que estão indo para Moçambique e que querem saber dicas, tirar dúvidas e na maioria das vezes, saber como era minha rotina lá. De mulheres que estão indo acompanhar seus maridos, então! De todos os questionamentos, os dois maiores temas são Safari, que já escrevi nestes 2 posts: Safari na África: você deveria fazer uma vez na vida!Camping no Kruger! Bom, bonito e barato!, e Vida Profissional, onde falo um bocado no meu outro blog, o Blog da Sâ, mas que não havia dedicado nenhum post aqui ainda, a não ser quando comentei sobre minha experiência como professora em uma Universidade moçambicana, mas foi algo mais light.

Então, vamos lá! Como vocês já sabem, lecionei por alguns meses num curso de Ciências da Comunicação, mas também trabalhei por 4 meses na parte administrativa de uma pequena agência de publicidade, e posso lhes dizer: a vida profissional é um dos maiores desafios em qualquer mudança, seja de município, estado ou país. Aliás, quando você muda de emprego na mesma cidade já é um desafio, novas rotinas, processos, costumes, chefes e por aí vai. Mas tenho que confessar que na mudança de país, o buraco parece ser mais embaixo.

Aí vai uma pequena lista de desafios que encontrei:

1) Cota de estrangeiros

Em Moçambique, até onde pude verificar, só é possível ter 10% das vagas dedicadas a estrangeiros. Como boa parte das empresas não são grandes, fica difícil contratar. Por exemplo, uma empresa de 10 funcionários, que já é grandinha, só pode ter 1 estrangeiro… já dá pra ver que cada vaga é bem disputada.

2) O ritmo de trabalho

Todo mundo que vai pra lá estranha. Ainda não posso dizer com certeza pois só morei em um país diferente do Brasil, mas brasileiro trabalha pra caramba! A gente já está acostumado com leis trabalhistas, carga extra de trabalho, prazos curtos, qualidade, vida acadêmica ativa, princípios de liderança e gestão de pessoas, etc. Isso faz da gente ótimos profissionais, sem exageros. Mas em Moçambique, senti na pele o quanto o momento histórico que eles ainda vivem, interfere no ritmo e qualidade dos serviços. Coisas básicas como atendimento ao cliente são grandes calcanhares de Áquiles. Tive a impressão de que eles ainda não tem aquele sentimento de que o cliente é quem paga o salário deles no final do mês. E para nós, que já temos esse princípio mais consolidado, fica difícil se adaptar. É como se voltássemos um pouco no tempo.

3) A língua

O Português falado em Moçambique é o de Portugal e temos que nos adaptar para tornar a comunicação, oral e escrita, mais fácil. Mas além disso, perdi muitas oportunidades por não ser fluente em Inglês, e em alguns momentos, em Francês também. São muitas multinacionais, são muitos estrangeiros vivendo ali, e fronteiras muito próximas com países de língua inglesa, aí já viu. E nesse quesito, dá uma invejinha boa dos moçambicanos! Eles parecem ter muito mais facilidade do que nós para aprender outro idioma e se quiser saber minha teoria sobre isso, clique aqui.

Diante deste cenário, tive minhas experiências profissionais mas não da forma consistente que eu precisava. Um lugar bacana, com registro, salário justo, etc, foi um sonho difícil de realizar em Moçambique.

É muito mais seguro ir com um emprego garantido mas não é fácil. Conheci inúmeras esposas, namoridas e afins que foram morar em Maputo para acompanhar seus cônjuges que receberam gordas e/ou interessantes propostas e foram expatriados. “Expatriado” é um termo que aprendi a usar lá, trata-se de funcionários que trabalham no Brasil mas são enviados para trabalhar em filiais ou projetos no exterior. Eles tem todo o suporte da empresa brasileira e, na maioria das vezes, bons benefícios que fazem a mudança valer a pena. Mas a esposa vai de “gaiata” na história e depende dela se adaptar ao cenário novo. Algumas grandes empresas até prometem auxiliar as esposas a se recolocarem no mercado, já que sabem que esposa descontente é sinônimo de marido com a cabeça quente no trabalho e isso pode significar uma passagem de volta do casal, o que é um prejuízo para a companhia. Mas em Moçambique, não vi isso ser tão eficaz.

O jeito é correr atrás! Dentre muitas coisas que podem ser feitas, uma das que considero mais importantes é obter a Equivalência do Diploma. Para você trabalhar em sua área ou continuar seus estudos, o Governo Moçambicano tem que emitir um documento que diga que sua graduação é reconhecida no país. Isso deve ser feito logo no início, pois este documento costuma demorar para ficar pronto, o meu saiu em 2 meses, mas já houve casos de mais de 7. Em Janeiro de 2012, o processo que fiz foi o seguinte:

  • Minha Certidão de Equivalência Acadêmica! É bonita, viu! Rs…

    1) Carta escrita a mão solicitando a equivalência (Modelo de Carta de Equivalência Escolar em Mocambique)

  • 2) DIRE (visto de residência permanente em Moçambique)  original + *Cópia autenticada (se ainda não tiver DIRE, o Passaporte + *Cópia autenticada resolvem)
  • 3) Histórico do Ensino Médio original + *Cópia autenticada
  • 4) Histórico da Faculdade + *Cópia autenticada
  • 5) Diploma original + *Cópia autenticada
  • 6) Ficha disponibilizada pelo setor de Equivalência da Universidade Pedagógica de Moçambique (você pode preencher na hora)

*cópias autenticadas em um cartório moçambicano

Reunindo todos estes documentos, é só ir até a Universidade Pedagógica que fica no final da Avenida do Trabalho em Maputo (clique aqui para ver o mapa), entregá-los, pegar o protocolo, cruzar os dedos e aguardar! ;)

Mas fugindo um pouco do lado desafiador e burocrático, conheci pessoas que foram sem emprego, ou com um emprego meia-boca e que conseguiram superar estas dificuldades. Uma boa opção é abrir a própria empresa, virar pessoa jurídica. Já que as empresas não podem contratar o estrangeiro, ele entra no quadro de funcionários de maneira camuflada como “prestador de serviços”, um emite nota pro outro e pronto. Além disso, como abrir empresa em Moçambique não é difícil, se aventurar no próprio negócio também pode ser um ótimo escape. E dependendo do negócio, nem é preciso abrir empresa mesmo, trabalhar de casa também é super válido!

Como exemplo, minhas amigas Lidi Mendes e Lívia Monteiro estão se jogando deliciosamente na carreira de doceiras! Em Moçambique não é comum achar docinhos tão gostosos quanto os nossos, várias vezes amigas moçambicanas me pediram para ensinar a fazer o bendito brigadeiro! Lá não costuma dar certo porque o leite condensado moçambicano tem uma textura muito diferente do nosso, logo, o segredo mesmo é correr atrás de uma lata de Leite Moça Nestlé! Rs… A Lidi se especializou em Cupcakes e abriu a Marula Cupcakes, já a Lívia, criou a Comadre Docinho e estão se dando super bem! :D

Clique nos nomes e visite as páginas da “Marula Cupcakes” e “Comadre Docinho” no Facebook!

No final, o que conta mesmo é a vontade e a perseverança. Se você realmente quiser trabalhar em Moçambique, você consegue. Basta só não esmorecer ao encontrar as barreiras que citei acima e abusar de itens como paciência e criatividade. Ah, e deixar um pouco de lado a ambição de muito dinheiro a curto prazo! Isso só virá com o tempo e dedicação. Acho importante ressaltar também, que muitas das dificuldades que citei, acredito serem resquícios do pouco tempo de independência (desde 1975) e da colonização portuguesa que pra mim, foi uma das menos progressistas para os nativos. Muitas gerações vão ter que nascer e morrer, assim como aconteceu com o Brasil, para velhos costumes desaparecerem e oportunidades de aprendizado, especialização e crescimento, surgirem de forma abrangente, igualitária e consistente em Moçambique.

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade de Maputo, Moçambique.

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Ensino Superior em Moçambique, minha experiência no papel de “Dra. Sâmela Silva”

Me pego lembrando de Moçambique como quem lembra de um sonho bom. Agora tudo virou aprendizado e sinto uma saudade tranquila, daquelas que só as coisas boas vem em mente. Das experiências mais gratificantes que tive, lecionar foi talvez a principal. Sim, humildemente e com todo o respeito aos mestres, pude experimentar ser professora, aliás, “Doutora”, como eles se referem aos professores universitários. ;)

Diferente do Brasil, onde há universidades como há padarias, em Moçambique senti que o ensino superior nacional ainda é pouco explorado e valorizado. Conheci muitos moçambicanos que foram estudar no exterior, e os destinos mais comuns eram: Portugal, Brasil e África do Sul. Falta de incentivo, investimento, estrutura, entre outros, são itens que prejudicam a continuidade dos estudos por lá.

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, me abri para uma nova experiência quando um convite inesperado surgiu: dar aulas para a turma do último semestre de Ciências da Comunicação do ISCTEM, o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. A princípio me assustei, afinal sou apenas graduada mas entendi que lugares como Moçambique precisam de gente com vontade, não só com diversos diplomas, e encarei o desafio.

A cadeira (é assim que eles chamam “matéria” lá) era Estratégia Avançada em Branding, puro Marketing, mas meus 2 primeiros anos de comunicação me deram a base que os alunos precisavam. Tive que ler livros, pesquisar muito, ver referências e vídeos para levar à sala de aula mais que um simples discurso. Meus alunos moçambicanos fizeram meu cérebro desenferrujar! :D

Ah… os alunos! Olha, foi um pequeno desafio convencê-los de que liberdade era diferente de zona. Chegavam na hora que queriam, faziam as tarefas que queriam, até que a pequena aqui chegou dizendo: “A gente vai se divertir e aprender muito, mas do meu jeito”. Rsrsr… Comecei a ensinar muito mais do que estratégia de marcas, entendi que ali meu papel era prepara-los para a vida: comportamento, jeito de falar, escrever, pontualidade, etc. Eles precisavam de atenção em uns passos antes.

Alunos moçambicanos nas dependências da faculdade.

Concluí que isso é fruto de aulas babacas, professores que entram, abrem um livro, começam a ditar e ponto. Resolvi fazer diferente. Graças a Deus, na faculdade na qual dei aulas, havia uma certa infraestrutura, tinha um projetor na sala, por exemplo. Eu inseria vídeos, músicas, aulas em Power Point com ilustrações, lembretes, dicas. Levei revistas e jornais, nacionais e estrangeiros, para análise e por aí foi. Até na disposição das cadeiras eu mexi quando fizemos um debate, coisas simples, banais para quem teve a oportunidade de conhecer professores bacanas, mas pra eles eu senti que fez diferença.

A dificuldade de aprendizado era nítida, a maioria morava muito longe, eles eram de origem simples, trabalhavam e estavam ali cansados. Considere o agravante de que não há transporte público decente, que os salários são baixíssimos e que o ensino fundamental e médio são precários, mas isso renderá outro post. Entre uma dificuldade e outra, aos poucos fomos nos alinhando. Fui sentindo os alunos mais interessados, presentes e com vontade de interagir. Fiz questão de mandar todas as aulas por e-mail e assim criamos outro espaço de estudo, fora das dependências da faculdade. Muitos não tinham computador e internet em casa, mas havia um laboratório de informática à disposição dos alunos e os cafés (como eles chamam as lan houses) não são tão caros por lá.

ISCTEM – Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique, local onde dei aulas.

Eu dei sorte. Toda essa infraestrutura não é regra, minha amiga Renata Moraes que o diga! Essa jornalista baiana também passou uns tempos em Maputo e lecionou na Faculdade de Jornalismo de lá… era lousa de giz e carteiras em péssimo estado. Mas, como eu disse, gente como ela fazia a diferença porque tinha vontade. Ela levava os alunos para atividades fora, incentivava debates e aplicava provas de verdade, serviu de inspiração pra mim! ;)

Apesar das dificuldades, eles estavam lá, não é fácil se formar com um quadro tão desfavorável, então, deixo aqui resgistrado meus parabéns como professora coruja! :) O mais gratificante foi aplicar o exame de fim de semestre que eu mesma elaborei. Eles absorveram muito do que passei e mostraram isso no papel! Um deslize ali, outro aqui, mas ok, faz parte! Até hoje tenho contato com eles, de vez em quando mando um e-mail perguntando como estão, se já se inseriram no mercado de trabalho e tal, as respostas vem sempre cheias de carinho tipo essa que recebi depois de divulgar as notas dos testes:

“Boa noite !

Hummm que bom saber que há só boas notas na turma!

Em nome da turma agradeço pelas aulas foram optimas, muito produtivas e superaram as nossas expectactivas! 

É uma pena que tenhamos terminada já as aulas,

Gostamos muito de ter ficado esse tempo ao nosso lado!

Passe bem e continue sendo essa pessoa e professora atenciosa; carinhosa; e acima de tudo com conhecimento e vontade de transmití-lo ! 

Bjx”

Da aluna Aissa Madaugy.

Kanimambo, Queridos alunos! Vocês nem sabem, mas quem aprendeu mesmo fui eu! Vocês são professores de vida! ;)

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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Meu contato com música africana, 6 bandas e cantores que você vai gostar!

Eu não sou uma musicopédia ambulante (se é que isso existe, rsrs…), mas desde que voltei para o Brasil, umas das coisas que mais tenho gostado de apresentar aos meus amigos são as músicas africanas.

Diferente do convencional mostrado na TV, nem só de batuque vive África! Em Moçambique, tive a oportunidade de conhecer pessoas viciadas em música de qualidade e ir em eventos com bandas que jamais eu conheceria se não tivesse morado lá, e disso tem nascido um novo gosto musical! Como eu citei acima, eu não sou “nerd”, não sei nomes de CD’s, em que ano foram gravados, qual a capa de determinado álbum, etc. Meu iPod vai de Britney Spears, passando por Audioslave, indo à Novos Baianos, sem problema algum! Rsrs… Então, vou colocar aqui aquelas bandas e intérpretes que eu gostaria que vocês ouvissem de verdade e sentissem a vibe boa dessa terra abençoada, chamada África! (cliquem nos nomes para verem páginas e sites oficiais)

Freshlyground

Essa banda é d+++! E vocês já devem ter ouvido o som deles porque na Copa do Mundo de 2010, a música tema, onde a intérprete principal foi a Shakira, foi gravada com eles! Lembram do “Waka waka”? Então! Bom, mas eles são muito mais do que “Waka waka, eh eh”, eu os vi ao vivo em um show num país vizinho chamado Suazilândia e foi incrível! Me acabei de dançar e me apaixonei definitivamente por eles! Todos os integrantes são africanos, e o cara do violão é o moçambicano, Julio Sigauque! :) Aí vai a música que  eu mais gosto pra vocês sentirem o gostinho!

2º Asa

A voz dessa mulher é indescritível de tão boa! Asa (leia-se, Asha), é de Lagos, na Nigéria, mas tem grande influência francesa devido sua criação e ela me ganhou com o álbum que leva o próprio nome, lançado em 2008. Eu consigo ouvir este álbum inteiro mais de 3 vezes por dia numa boa! É delicioso! Infelizmente não consegui ver um show dela, mas… ainda criarei oportunidades! ;) A música abaixo é a minha preferida, casaria facilmente ao som dela!

3º Goldfish

Ah!!! Eu os vi num festival também na Suazilândia e adorei! Eles foram a atração principal da 1ª noite de shows do Festival Internacional de Artes Bush Fire 2011, e o pezinho não ficava parado de jeito algum! Até onde eu sei, direto da África do Sul, Dominic Peters e David Poole misturam música eletrônica com jazz e música africana. Será que deu certo? Ouçam aqui e comentem o que acharam!

4º Jeremy Loops

Eu o conheci em Maio de 2012, e caí de amores! Direto da Cidade do Cabo (Cape Town) na África do Sul, esse carinha simpático é uma banda praticamente sozinho! Calma, deixa eu explicar! Rsrs… Ele toca diversos instrumentos, inclusive utiliza itens alternativos como brinquedos de criança, faz vozes diferentes, e ao vivo, grava cada som e depois vai juntando e formando a melodia! Enfim, é um fofo! Estávamos todos sentadinhos no gramado do Bush Fire 2012, quando ele apareceu do nada, caladinho, com seu All Star e sua boina com pena a la Peter Pan… e em 5 minutos ele fez todo mundo levantar e pular enlouquecidamente! Vejam que fofura!

5º Napalma

Eu não sei se ela pode ser considerada uma banda brasileira ou africana, mas eu os descobri em África, então vale! Rs… Isso porque um integrante é moçambicano, outro brasileiro e outro israelense (eu acho) e tudo indica que eles moram na África do Sul. Fica difícil definir e dá pra imaginar a mistura sonora, né? Os conheci também no Bush Fire deste ano e foi um dos shows mais dançantes! A comunidade brasileira foi a loucura, já que eles inserem muitas frases em português e é uma batucada só! Na época deste festival, faz frio na Suazilândia mas eles me fizeram suar! Heheheh

6º Ayo

Bom, o show dela não foi lá essas coisas no Bush Fire deste ano. Acho que o estilo dela era muito lentinho pro povo maluco que tava lá! Rsrsr… Mas a voz dessa alemã com alma africana é linda, e cá entre nós, ela também é linda e simpática! Quando ela sentiu que nós, o público do show na Suazilândia, estávamos meio acanhados, ela desceu do palco e foi pro meio do povo! Uma doida, mas conseguiu o apogeu do espetáculo com a galera gritando muito! A música que todo mundo ama é essa aqui:

Que os amantes da música africana me perdoem, mas quis deixar aqui as músicas e bandas que tive realmente contato nesse meu 1 ano e 2 meses de África! Espero que gostem da minha singela seleção!

E é ouvindo esse tipo de música que tenho conseguido me manter assim, neste clima! Hihihih

Eu curtindo muuuito o Festival de Artes, Bush Fire, na Suazilândia! (2012)

E aí, qual vocês mais gostaram? Algum som bom pra me indicar? ;)

 

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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Bye bye, Moçambique! Tô de volta em Sampa de vez!

É, acredito que para muitos o título deve ter sido um susto, mas é isso, estou de volta ao Brasil definitivamente.

Foram cerca de 14 meses de uma das experiências mais incríveis da minha vida! Moçambique e a África em si, me receberam muito bem e eu os aceitei de peito aberto, o que me fez aproveitar muito e não me abitolar nos problemas e peripécias de Maputo!

Leona, que saudade da minha filhota!

Apesar da tristeza, pois tive que deixar muitas amizades incríveis, ficar sem minha gatinha Leona que virá daqui alguns meses e me despedir de um país maravilhoso, estou voltando melhor do que quando eu fui. Tudo isso me fez crescer e me tornou uma pessoa melhor. Muito menos preconceituosa, querendo conhecer todo o tipo de gente pois todo mundo vale a pena e tem algo a nos revelar! Amar o mundo e as oportunidades que ele nos traz. Com menos receio ainda do novo e do desconhecido. Valorizar minha família muito mais. Aproveitar cada dia como se fosse o último! Volto também um pouco mais crítica, pois agora conheço um outro “mundo”, diferente do Brasil. E com uma curiosidade enooorme de conhecer esse pequeno planetinha!

“Eita, Sâmela, então não deu certo?” Depende do que é “dar certo” pra você. Se for tudo sair conforme o planejado e desejado, é, não deu certo. Mas como eu não acredito que “dar certo” seja isso, afinal acreditar nisso na minha visão é assinar uma carta de frustração eterna, DEU CERTO SIM! Deu certo enquanto durou! Deu certo porque eu escolhi que ía dar certo, deu certo porque eu fui feliz demais e fiz o que eu tive vontade! Foi um dos períodos mais magníficos da minha vida!

Agora tenho uma imensa tela branca para pintar! Posso fazer e ser o que eu quiser! Continuar no meu caminho diário onde sou e quero ser ainda mais feliz, livre e fazendo parte de algo bom!

Sampa que me aguarde!!! :)

Chegar em São Paulo não foi tão esquisito quanto eu imaginei, achei que tudo seria grande e eu pequenininha, mas no fundo a sensação é de que tudo continua no seu lugar e em suas devidas proporções. Talvez porque eu ainda não tenha tido tempo e experiências a mais, mas foi essa a 1ª sensação! Esse será um dos meus maiores desafios: redescobrir e aproveitar a selva de pedra! Rsrs… O maravilhoso de voltar é com certeza rever a família e amigos! Estou super ansiosa para abraçar, beijar e cheirar todo mundo!

Não me perguntem o que será e o que eu quero daqui pra frente pois eu não sei nenhuma resposta além de “continuar sendo feliz, livre e fazendo parte de algo bom”! Eu sou do mundo, aquariana e independente e é claro que isso vai colaborar para eu me movimentar, só não sei pra onde! Rsrs…

Não há mágoas nem rancor, e sim: EU FARIA TUDO DE NOVO! Foi fantástico e indescritível! Só tenho boas lembranças e uma saudade que acredito ser incurável e bela! Fiz amigos queridos, vivi uma nova rotina, experimentei diversas coisas e situações e continuo indo muito bem no quesito: histórias para contar para os meus netos!

Tá faltando gente aí, mas esta é a “malta” mais nice de Maputo!

Bom, acredito que ainda tenho coisas para falar sobre esta experiência, então continuarei escrevendo aqui no blog até achar que consegui dar um lindo “ponto final” para esta deliciosa história entre Moçambique e eu! Vocês vão ter que me aturar mais um bocadinho! Rsrs…

Nestes próximos dias a ideia é descansar e resolver as pendenguinhas burocráticas aqui de Sampa, então é provável que eu dê uma sumida. Mas estarei mais ativa aqui neste mundinho virtual em breve!

Beijo no coração de todos e se joguem nas oportunidades únicas que este Universo nos dá porque a vida é curta demais!!!

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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Cafés e amigas: itens que fazem a diferença em Maputo!

Quando a gente mora fora, inúmeros obstáculos aparecem e, incrivelmente, começamos a perceber que eles também fazem parte desta deliciosa experiência. Para alguns, enfrentar o novo é mais fácil, para outros é como a dor de um parto e tem gente que nem consegue “nascer”. Fica preso ao casulo se esquecendo que após a transformação, se houver entrega, uma linda e livre borboleta aparecerá. Nesse processo de mudança, ter conexões ameniza a sensação de perda e saudade e os novos amigos tem um papel importantísssimo.

Deixamos amigos de 10, 15 anos de convivência. Aqueles que nos conhecem do avesso, que toleram os nossos defeitos, que estão com a gente na hora da alegria e da merda. Deixamos aquelas pessoas incríveis! Sem falar na família, que deixa um buraco impreenchível, se é que esta palavra existe. E aí surgem “pessoinhas” que fazem nossos dias em terras longínquas mais felizes: os novos amigos! Os antigos que não fiquem bravos, hein! ;) Cada um tem um espacinho reservado aqui!

Aqui em Moçambique, cheguei em círculos de amizade que já existiam e no começo foi um pouco esquisito me encaixar. Mas com o tempo, você enxerga afinidades, pessoas vão, pessoas novas chegam, e quando você menos espera, já está inserido em um ambiente acolhedor e com pessoas que você pode contar. Sem isso seria dificílimo morar fora. É natural, chegamos em terras novas e logo procuramos conexões. Ficar trancado em casa roendo as unhas de nada auxilia essa fase, por vezes cruel, que é a adaptação.

No caso de nós mulheres, os cafés da tarde que fazemos, nos tornam mais próximas e eu aprendi a valorizar estes momentos tão simples, e as vezes até considerados fúteis. Sim, há dias que só falamos besteiras, e é bom d+! :) Mas há dias que nos confortamos, trocamos experiências e nos sentimos produtivas, motivadas e vivas ao ouvir tantas histórias bacanas! Aqui em casa já fiz alguns cafés, mas há cantinhos especiais aqui em Maputo que tem recebido estes encontros tão despretensiosos e importantes!

Esse aqui é um dos meus preferidos! O Café Estufa! :) A gente toma um delicioso café com Amarula e lanchinho quente de carne moída com mussarela e rolam altos papos dentro de uma linda estufa!

Muitas tem filhotes, então lugares como o Café Acácia (Jardim dos Professores) ou no Parquinho da Sommerschield (acho que Jardim dos Cronistas) que tem parquinhos, são ótimos e já até fizemos um delicioso Picnic! :) É terrível não termos tempo para fazer essas coisinhas tão gostosas e simples, então só tenho a agradecer a Maputo por me proporcionar momentos como estes!

Foi tão bom este picnic, acho que já está na hora de marcar o próximo!

Vou aproveitar este post para dizer as minhas queridas amigas de Moçambique que elas fazem toda a diferença! Maputo não seria a mesma sem elas!

Não vou citar nomes pra não cometer nenhuma injustiça, claro, mas sintam-se beijadas, minhas amigas queridas!

E bora marcar o próximo café! Rsrs…

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Capulana, o tecido que veste Moçambique!

Ainda estou me perguntando como é que não falei sobre “capulanas” com vocês! Vou corrigir este tremendo erro hoje! ;)

Olhem as cores desta capulana! :)

A capulana é um tecido colorido muito usado em Moçambique. Pesquisei um bocado sua origem, e a versão mais disseminada é que ela foi trazida da Índia, e que até o povo português foi um dos grandes comerciantes e um dos responsáveis por este tecido se espalhar por África. Independente da veracidade da sua origem, incrível mesmo é um tecido tão simples ter sobrevivido há séculos. A capulana não é macia, chega a ser áspera, um tanto quanto grossa se comparada a seda e ao linho, mas é exatamente isso que a faz ser tão útil! Você dá um nó e fica.

Nas ruas de Moçambique a capulana veste ambas as classes sociais. Na camada mais pobre, ela é item obrigatório. Barata e suficiente para suprir a necessidade de vestir, carregar, sentar, etc, ela faz parte da cultura moçambicana. Já na classe média e alta, vejo que é usada em ocasiões mais específicas e de forma descolada, numa bolsa transada, um lencinho, etc. E é claro que qualquer mulher que chega em Moçambique fica doidinha querendo todas as capulanas e tudo que tem capulana: pulseiras, cadernos, colares, brincos, etc! :) O jeito mais diferente que vi a capulana foi na coleção do estilista moçambicano, Nivaldo Thierry, onde ele abusou e fez mochilas belíssimas! Olha que linda nessa foto do Moçambique Fashion Week 2011:

O mais legal é ver os nenéns serem carregados pelas “mamas” na “neneca”! Neneca é o nome dado ao “cangururu” feito com a capulana, olha que bacana este passo-a-passo de como fazer a neneca!

By mamis Renata e sua querida filhota, Malu! (clique para ver em tamanho maior)

Se você não tem muito tempo, um ótimo lugar para comprar capulanas é a Casa Elefante que fica na Av. 25 de Setembro, quase em frente ao Mercado Municipal. Você vai encontrar das capulanas mais simples até umas com brilhos e num estilo mais psicodélico! Apesar de não ser caro, achei preços melhores na rua. A Casa Elefante já virou ponto turístico e aí já sabe, né?! Lá, as mais simples custam cerca de 100,00 Meticias (cerca de R$ 6,60), mas podem chegar a 300,00 MT dependendo da estampa e qualidade do tecido. Os lencinhos, que podemos por no cabelo, pescoço, etc, são cerca de 30,00 MT, um mais lindo que o outro!

Claro que eu já tenho as minhas né! :) Além de poder fazer roupas bacanas, as capulanas servem como lindas cangas de praia!

Minhas capulanas!

E aí, gostaram de conhecer a capulana? Já se imaginaram fazendo “nenecas”, usando como lencinhos ou cangas?

 

*A Casa Elefante fica aberta de segunda a sexta-feira das 08h30 as 12h30 e depois das 14h00 as 18h00, e aos sábados das 08h30 as 13h. Vale a pena visitar!

 

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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42 minutos de Maputo, conheça a capital de Moçambique

Há um tempo atrás, eu contei pra vocês que é bem difícil encontrar conteúdo bom sobre Maputo na internet e publiquei neste outro post um vídeo bacana.

Mas o vídeo anterior é curtinho, e vasculhando a web encontrei este episódio do programa “Portugueses pelo mundo” que é todinho sobre Maputo. Pra quem está vindo pra cá ou pra quem quer conhecer um pouquinho mais da cidade, vale muuuuito a pena.

Tudo o que eu tento escrever pra vocês, os bairros, os lugares, as capulanas, etc, é mostrado de uma forma bacana. Bom, é isso, dessa vez o vídeo vai falar por mim! :)

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Maputo não combina com pedestres

Como em todo lindo relacionamento, nem tudo são flores. Há alguns pormenores na terra das Acácias que às vezes fazem a gente “brigar”, e hoje escolhi um pra contar a vocês: transporte público e as ruas de Maputo.

Em São Paulo eu nunca dependi de carro, 1º porque é caro e 2º porque tem que ter muito sangue frio pra enfrentar o trânsito caótico e absurdo de lá. O jeito era usar o transporte público e andar a pé, e hoje eu sei o quanto eu me virava bem apesar de tudo ser sempre cheio. Pelo menos funcionava. Eu não imaginava que em pleno século XXI a capital de qualquer país pudesse não ter um sistema de transporte público, foi aí que conheci Maputo. E acho que se eu continuar viajando por este mundão afora, é capaz de eu encontrar mais deste descaso público.

Não, ninguém vai me convencer que Maputo tem um sistema de transporte público só porque há alguns machibombos (ônibus) da TPM (Transportes Públicos de Maputo) e os chapas (vans ou caminhões em estado deplorável que transportam o povo pra cima e pra baixo). O que fazem aqui é humilhar o povo diariamente, e não transportá-los. Bixas (filas) imensas, preços ao bel-prazer dos condutores, sem respeitar o nº máximo de passageiros, muitos passageiros ficam com o bumbum pra fora do chapa já que estão sentados na janela, com certeza não há sinto de segurança, setas quebradas, motoristas malucos que conduzem (dirigem) como se estivessem no filme “Velocidade Máxima” e por aí vai…

Chapas em Moçambique

Eu na txopela

E aí o jeito é usar taxi ou as txopelas, mas isso não é transporte público, certo? Para um trabalhador usar a txopela diariamente é extremamente caro, nenhum trajeto custa menos que 100 meticais, e isso equivale a R$ 6,50. Imagine ida e volta diariamente sendo que este é o valor para pequenas distâncias? Não rola.

Neste cenário, aqui, o carro foi bem-vindo e mais ainda, andar a pé. Só que aí vem o problemão: as ruas de Maputo são um campo minado para nós pedestres. As fotos abaixo foram tiradas por mim em cerca de 7 minutos de caminhada na Av. Samora Machel. Nenhuma imagem é da mesma “armadilha”, e teve uma hora que eu até parei de fotografar porque julguei que já havia material mais que suficiente para este post.

Uma distração e você cai no buraco.

O lixo e o esgoto são outros obstáculos para quem tem que andar a pé.

Os elementos antigos se desfazem com o tempo e viram uma armadilha para os pedestres.

E aí vai a cereja do bolo, apresentando… Minha rua!

“Se essa rua, se essa rua fosse minha… eu mandava, eu mandava, ladrilhar…”

Triste, não? Pois é… o tempo passa minha gente, e itens como asfalto e cimento não tem vida eterna. É preciso conservar, cobrir com asfalto novo e BOM e por aí vai. Salto alto? Rsrsr… Heroínas as mulheres que se atrevem a usar estas belezinhas por aqui, viu! Eu fico só nas rasteirinhas e sapatilhas mesmo. A gente anda pensando em aderir às bicicletas, e este projeto da Mozambikes é bem legal, mas confesso que preciso perder o medinho antes. Medo dos motoristas malucos e da falta de estrutura como o estado das ruas, por exemplo.

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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Camping no Kruger! Bom, bonito e barato!

É, chegou a minha vez de acampar! Acostumada pelo menos com hostels, onde há uma cama, teto, as vezes ar condicionado e banheiro privativo, acesso a internet e tal, tive que me despir de toda essa civilização e dormir no meio do mato! Sobre fazer Safari no Kruger National Park na África do Sul, eu já contei pra vocês neste post aqui, agora é hora de falar de camping, ou campismo, como preferirem.

Tá bom, tá bom, o camping no Kruger é protegido e o chão de terra, mais light, mas para marinheiros de primeira viagem é o ideal porque não assusta de vez! hehehe Moisés, ano retrasado atravessou Botswana e acampou em áreas sem nenhuma proteção. Hienas atacaram o acampamento, e eles ficaram sem carne para o resto da viagem, ouviam leões, elefantes e tudo o que a África tem de melhor! Acho que pra eu chegar nesse nível é melhor eu começar com estes mais lights mesmo! :P

Acampar no Kruger é a forma mais barata de se hospedar nos lodges (alojamentos) e os preços do Skukuza, logde que ficamos, vocês podem conferir aqui. Os locais são protegidos com cercas elétricas para afastar os animais mais assanhadinhos, e isso nos deixa bem mais tranquilos, é claro. Quando chegamos no camping, eu já estava exausta do 1º dia de safari, mas também já havia me preparado psicologicamente para ao menos 1 hora de arrumações entre montar barraca, encher colchão inflável, etc. Pra minha sorte foi muito mais fácil! Moisés já “manja” e o equipamento de camping é super simples, em uns 20 min já estava tudo, ok! :)

Foto Oficial do Campsite - Skukuza

O clima de camping é incrível! Já vi o que quero fazer com meus filhos daqui uns 15 anos: vamos ter um trailer e viajar Brasil afora! Vimos dos trailers mais simples aos que já eram a casa “em pessoa”. As famílias juntas, montando suas barracas junto aos trailers, limpando as sujeiras, tocando violão, fazendo churrasco, é tudo bem harmônico e uma vibe muito boa. Na área comum, onde você pode lavar sua louça, usar água quente, ler livros e revistas, etc, as pessoas todas estavam conversando animadas, como uma comunidade de “gentes boas”. Claro que a gente não pôde se misturar muito, afinal, o Português não é de muitos amigos. Faltou mais coragem de arriscar o Inglês, mas nos aguardem, a gente chega lá!

Banheiros no Campsite - Skukuza

Os banhos deixamos para o final do dia, no campsite do lodge Skukuza, os banheiros são divididos em ala masculina e feminina. Tudo limpinho e água quentinha, não precisei de mais nada! Eu sou daquelas que acorda umas duas vezes por noite pra fazer um “pipi”, mas dessa vez segurei firme porque não quis levantar e ir andando até o banheiro que ficava há uns 25 metros da nossa barraca. Acho que esse deve ser um dos pontos ruins de acampar, mas na boa, depois você entra no clima e levanta se for preciso, ou faz atrás da barraca mesmo, afinal você está no meio do mato! :)

Para acompanhar a vida animal, é preciso acordar cedo. Foram 3 dias acordando as 4h da manhã, e de madrugada fazia um friozinho, mas nada que se trocar rapidinho dentro da barraca não resolvesse. Fechávamos a barraca e pé na estrada, quando chegávamos estava tudo lá, do jeitinho que deixamos. O Kruger fornece uma estrutura que nem todo o camping tem, por exemplo, tínhamos uma bica com água fresca e tomadas no local onde escolhemos acampar, então pudemos ligar uma luminária, carregar as baterias da câmera, etc. Comer foi tranquilo, como não ficamos muitos dias, deu pra passar com coisas simples como macarrão instantâneo e suco de janta, e lanchinhos e frutas de café da manhã, levamos uma caixa térmica e lá vende gelo. Na hora do almoço, fazíamos uma refeição mais caprichada nos restaurantes dos lodges.

Mas o que eu mais amei mesmo foi o céu estrelado! Eu já fui para lugares menos poluídos que São Paulo, uma parte da minha família por exemplo é do sertão de Santa Catarina, e vivem em fazendas, mas eu nunca vi um céu como aquele. Eram muuuuuitas estrelas, e de tantas, pareciam se “encavalar”, à olho nu parecia que eu tive acesso ao Hubble! Eu sempre andava olhando pra cima a noite, não sei como não tomei uns tombos! Claro que não consegui tirar uma foto, mas peguei essa aqui da internet pra tentar passar a sensação à vocês. Mas na boa, ainda não é isso! :)

Dicas por enquanto só tenho duas, já que foi minha 1ª vez: Vá disposto a viver algo mais “roots” e tente se equipar minimamente: barraca, colchão, cobertas, travesseiro, protetor térmico para colocar no chão da barraca e proteger mais do frio, adaptador de tomadas, lanterna e pilhas, caixa térmica, etc. E pra quem gosta aqui vai um link cheio de dicas de campismo no Brasil: http://www.campingclube.com.br/.

Foi uma experiência bacanérrima! E acho que realmente a vida na cidade me encanta cada vez menos. Se você tiver a opotunidade, acampe ao menos uma vez na vida, mesmo que seja pra você chegar a conclusão que não gosta. Mas experimente! :)

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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1 ano de Moçambique! Kanimambo à Pérola do Índico!

Jamais conseguirei traduzir em palavras este 1 ano de distância do Brasil. Jamais. É muita mudança, muito aprendizado, um misto de sentimentos e por aí vai. Morar fora é uma das experiências mais incríveis que o ser humano pode vivenciar, na minha opinião. Descobrir uma nova sociedade, aprender novas formas de viver, reconhecer que a sua cidade, a sua comida, a sua cultura, a sua cor, o seu idioma, o seu sotaque, a sua religião, os seus hábitos, não são os únicos bons formatos existentes, faz você passar de fase no joguinho da vida. Talvez um dia eu lance um projeto no Congresso: Bolsa Intercâmbio – Todo brasileiro tem direito de morar 1 ano fora. :P

Eu sempre fui fresca. Pra comer, pra fazer serviços de casa, cheia de regras e mania de planejar em excesso. A vida me ensinou a fazer tudo diferente e Moçambique me mudou pra muito melhor. Acho que minha própria família só acreditaria em certos exemplos de mudança se visse mesmo, aliás tem horas que nem eu acredito. Como tenho aprendido! Me sinto mais viva, mais participativa do meio em que estou. Não me arrependo em nada de ter largado tudo e todos. A saudade existe, mas como eu já disse em outro post, “A sensação que tenho é que se eu não tivesse vindo, minha vida teria um grande buraco e eu nunca saberia o que era”. Eu estou muito feliz! E este país me proporcionou a coisa mais importante: juntou minha família! Ao Moisés (Zeca), um Eu te amo do tamanho do Universo! E à Leona, nossa gatinha, meu muito obrigada por ter aguentado a viagem firme e forte e por ser meu pedacinho vivo de Brasil aqui!

Eu não sou boa em edição de imagens, mas foi de coração! heheheh

Eu respeito o caminhar de Moçambique e isso me faz ser mais empática (empatia: capacidade de se colocar no lugar do outro) nas situações não tão belas do dia-a-dia. No Brasil, parecem ter mais cicatrizes, já aqui, sinto que há ainda muitas feridas abertas originadas do tempo do colonialismo que só acabou há cerca de 37 anos. Se nem na minha pátria é tudo perfeito com quase 200 anos de liberdade, como posso exigir o mesmo daqui? Talvez, muitas gerações tenham que nascer e morrer para que certas coisas mudem e evoluam, para que as feridas se fechem, assim como aconteceu, e ainda acontece, conosco, os brasileiros. E quem sabe um dia, Moçambique não surpreenda como o Brasil tem surpreendido o mundo hoje? Minha visão é de que sou uma hóspede, e vocês sabem bem como nos comportamos quando somos convidados em uma casa, certo? É isso, e se um dia eu sentir que os donos da casa já não me tratam como eu gostaria, quem tem que partir sou eu. Eu estou muito feliz por poder vivenciar o processo de renascimento de um povo, o Brasil passou por isso e eu só pude ler em livros. Como tudo e todos, a Pérola do Índico tem seus defeitos, mas ela me aceitou com os meus, então vou me esforçar pra não mandar às favas ou esganar os motoristas e os profissionais quem trabalham com o público aqui. Estes são meu tendão de Aquiles em Maputo.

Até pude relembrar as aulas de geografia! Hoje me interesso muito mais em entender a história, cultura, divisão e etc, dos países que quero conhecer, por exemplo. Pude ver o quanto temos uma visão antiga e distorcida de África, e realmente nem tudo é simplesmente África. Morando em Maputo e conversando com pessoas que estão há mais tempo que eu aqui, posso dizer que muita coisa já mudou, e difícil deve ter sido pra quem chegou há 5, 10, 15 anos trás, onde muita coisa não existia e produtos simples do dia-a-dia precisavam ser buscados na África do Sul. Hoje a gente acha até farinha de mandioca, fubá, leite condensado bom, entre outros. Mais difícil ainda, talvez seria se eu tivesse ido morar em 1 dos 10 países mais pobres do mundo, ou num sertãozão no próprio Brasil. Maputo tranquilo. ;)

O idioma foi um item renovador. Além de ter o contato com a língua portuguesa mais raíz, já que aqui é falado o Português de Portugal, pude ter o tão desejado contato com o Inglês e passei a entender melhor porquê tenho a sensação de que nós, brasileiros, temos mais dificuldade em aprender novos idiomas. Aqui, é normal ver os próprios moçambicanos falarem um bocado de Inglês nas ruas, por exemplo, mas as viagens para países como Suazilândia e África do Sul fizeram a diferença. E quem me proporcionou isso foi a vinda para Moçambique. Estou feliz por poder aperfeiçoar meu Inglês e conhecer gente do mundo todo!

Neste 1º ano, já entrevistei mais de 100 artesãos humildes em uma feira popular, dei aulas em uma Universidade pra estudantes de comunicação, ministrei palestras sobre temas ligados ao mundo corporativo, a comunicação e ao mundo web, e, acredite, até escrevi peça de teatro para uma ação social em escolas públicas! E toda esta diversidade de experiências tem sido incrível e muito gratificante! Me sinto feliz por poder experimentar tanta coisa nova! Não sei se eu teria este tipo de oportunidade em São Paulo onde tudo já existe e o caminhar parece ser mais longo para conseguir certos itens. Aprendi, mas de uma forma bem aprendida, daquelas que te deixam pensando “Não vou querer mais isso pra mim”, que ar condicionado e carro automático não são luxo, por exemplo, e que o Brasil me faz gastar dinheiro demais com itens que boa parte do mundo já usufrui há tempos. Que cuidar da casa é bom demais, principalmente quando se tem uma Dona Tereza de brinde, e que é incrível ter tempo livre!

Por isso e por muito mais, como vocês já devem ter sentido, eu estou feliz, e se eu tivesse que resumir o que sinto por Moçambique e por tudo o que este país me proporciona, a palavra seria: Gratidão. Aos meus amigos e familiares, que me apoiaram e aos que não também, simplesmente por me amarem e não quererem que eu me lascasse, fiquem tranquilos! :) A única coisa imperfeita em morar fora por uns tempos, é que vocês não vêm junto. Eu prometo visitá-los no próximo ano, mas o que eu queria mesmo é que vocês viessem conhecer meu novo lar. Viessem conhecer Moçambique. Viessem conhecer África. :)

Aí vai uma pequena retrospectiva deste 1º ano!

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Boa parte de quem foi embora sente saudade e aquela coisa de que poderia ter aproveitado mais e melhor, então minha promessa desse ano é tentar cada vez mais olhar pelo ângulo bom de morar aqui, participar mais de eventos e coisas típicas, tomar muuuuita Amarula e comer muuuuuuito camarão, enfim, deixar Moçambique me fazer cada vez mais feliz!

Kanimambo (obrigada), Moçambique!

 Sâmela Silva, direto de Maputo, Moçambique.

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