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Um presente em 2013: a gatinha Leona voltou de Moçambique!

Para quem não acompanhou minha saga, fui morar em Maputo (Moçambique) em Abril de 2011 e claro que eu não podia deixar minha gatinha de estimação aqui em São Paulo. Resultado, Leona foi comigo.

Quando voltei para o Brasil, em Junho de 2012, não tive condições de trazê-la de imediato. Após me instalar e contar com alguns amigos anjinhos que auxiliaram no retorno, a bichana desembarcou em Guarulhos no dia 16 de Julho deste ano! \o/

Se você deseja viajar com animais minha dica é: faça tudo com antecedência e tenha muita paciência. Os órgãos governamentais e as companhias aéreas são extremamente lentos, caros e burocráticos. Ah,  se informe sobre o passaporte de animais, pode auxiliar no processo!

Passaporte para cães e gatos

Passaporte para cães e gatos

Como na ida já tínhamos entendido boa parte do fluxo e da documentação necessária, a volta foi mais tranquila.

Tivemos que conseguir os atestados de saúde e autorizações de Moçambique e África do Sul, comprar a passagem aérea, e com as cópias em mãos pude espera-la no aeroporto. O custo foi muito parecido com o da ida, o azar foi que este ano o dólar foi às alturas e isso refletiu no preço da passagem. Ficou mais caro ainda! (clique para ter mais detalhes)

Mas como se trata de Sâmela Silva… Aí vai a parte novelística:

Leona chegou em São Paulo as 23h do dia 16/07 (terça) mas os órgãos que autorizam a entrada de animais no país só funcionam em horário comercial. Logo, só pude dar entrada na papelada no dia seguinte as 08h00.

Fui toda feliz e aflita busca-la, afinal a bichinha já estava cerca de 9h esperando no aeroporto. (fora as 12h horas de voo, mais as horas de espera nos demais aeroportos, etc, enfim, uma judiação) Mas, como tudo que depende de processos arcaicos e gente com má vontade, foi pior do que eu pensava. Depois de um vai e volta de papelada, paga isso, paga aquilo, fui encaminhada para o setor da Polícia Federal que cismou que eu estava importando a Leona. Sim, meus amigos. Como se não houvesse quase gatos no Brasil, o funcionário da Polícia Federal teve a cara-de-pau de dizer que eu poderia muito bem estar trazendo um gato moçambicano com as mesmas características que constavam no RGA da gata que eu dizia ser minha. (RGA: Registro Geral Animal, é o RG dos animais que a Prefeitura de São Paulo me forneceu quando a castrei)

Foi de surtar!!!!

Se eu não comprovasse que Leona era brasileira e meu animal de estimação, teria que pagar cerca de R$ 800,00 de imposto, dinheiro que eu não tinha. O que eles queriam era a comparação do nº do microchip, dado que não constava no RGA porque na época que o fiz ela ainda não havia sido microchipada. Tive que pedir auxílio à South African Airlines, companhia aérea que fez todos os nossos trajetos. Eles me auxiliaram a resgatar os documentos de quando a levei para Moçambique e neles constava a numeração do microchip. Era quase meio-dia, 13 horas depois que ela havia desembarcado, quando consegui comprovar que Leona era minha mesmo.

A má vontade dos funcionários foi enorme, acho que ninguém parou pra pensar no estresse e saúde física do animal.

Por sorte, Leona aguentou muito bem! :)

Nosso encontro foi muito emocionante, pelo menos pra mim! Rsrsrs… Ela estava bem cansada e arisca, mas ao ver uma caixa de areia, água e comida ficou felizona! Heheheh Sou grata a todos que cuidaram dela na minha ausência e a todos que de alguma forma me auxiliaram a trazê-la!!!

A gente se amando no Brasil de novo! :) (tapete by @camisaflorida)

A gente se amando no Brasil de novo! :) (tapete by @camisaflorida)

Ter um animal de estimação é uma grande responsabilidade. Então pense bastante antes de embarcar nessa! Abandonar está fora de cogitação e é preciso estar preparado para as mudanças que a vida pode trazer!

Passar por toda essa experiência com a Le só nos uniu ainda mais! Tô bem feliz com o retorno da gata “africana” e não podia fechar o ano sem contar isso a vocês!!! ;) Olha ela já sensualizando no Brasil!!

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 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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“Mas e o gato?” – Operação Resgate Leona em andamento

Desde que voltei ao Brasil essa é a pergunta que mais ouço: “Mas e o gato?”. Rs… Para quem não se lembra, contei no Post “Leona, a gata paulistana que embarcou pra Moçambique!” como foi a saga de viajar com um bichinho de estimação. Muitos amigos me ajudaram a leva-la. Era caro e pra conseguir os cerca de R$ 3.0000,00 o jeito foi transformar a ida da bichana em uma causa nobre. Aí surgiu uma rifa, aí surgiram amigos e simpatizantes e pronto, em Abril de 2011 estava Leona desembarcando em Maputo.

Ela se adaptou rápido. Se tem comida e areia, gato se sente em casa. E foi assim. Em uma semana ela já era dona da casa e com lugares e hábitos preferidos, como dormir no guarda-roupa, “vigiar” os pássaros que paravam na grade das janelas e morder as pernas de Dona Tereza, moçambicana fofa que trabalhava em casa e dava umas vassouradinhas pra Leona se mandar! Rs…

Viu, essa é ela, dona da casa já no seu 1º dia em Maputo!

Viu, essa é ela, dona da casa já no seu 1º dia em Maputo!

Eu não tive muito contato com famílias moçambicanas pois fiquei mais próxima da comunidade brasileira (o que acho que foi um grande vacilo, devia ter dedicado meu tempo meio-a-meio, saí sem grandes vínculos com os moçambicanos), mas voltando ao tema, eu não via muitos animais domésticos quando andava pelas ruas e observava os quintais. Quando colocava Leona no jardim da casa muitos moçambicanos demostravam medo e até a achavam gorda demais.

Talvez por não ver esse apego ou hábito com animais, um item que achei difícil foi encontrar diversidade de rações, areia e brinquedos. Tinha um bendito biscoito que eu usava para ela me obedecer que só tinha aqui no Brasil, vira-e-mexe eu pedia pra algum amigo levar! E outras coisinhas tinha que sair “pescando” de mercado em mercado. Encontramos uma boa veterinária e coisas mais elaboradas como caixa de transporte e brinquedos, só na África do Sul mesmo. No final, creio que o saldo de adaptação foi de 100%.

Na hora de ir embora é que ferrou. Como vocês já sabem, minha volta não foi programada e transportar um animal de um país para outro é extremamente burocrático e caro. Tive que deixa-la em um primeiro momento para ser o menos traumático e desgastante possível pra ela e pra mim.

Leona e Sâm tirando uma soneca em Maputo, MoçambiqueDepois de diversos contratempos, dentre eles minha mãe, que me acolheu em sua casa e eu só tenho a agradecer, não curtir muito animais e claro, respeitei, tive que convencer a família que era hora de trazê-la, já que fazia praticamente 1 ano que eu estava de volta e não dava mais para adiar. Aí veio o 2º desafio: grana. Estou neste estágio. Juntando grana pra ela voltar. Não vejo a hora de vê-la e abraça-la, procuro não falar e olhar fotos porque as lágrimas de saudade são inevitáveis. Sei que ela está bem, mas… “mãe é mãe” e quero minha filhota de volta! Torçam por nós!

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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“Rádio Moçambique” – Como encontrar a frequência certa depois dessa incrível experiência?

(vou começar esse texto com um comparativo que me fez lembrar que estou ficando velha mesmo, mas foi o melhor exemplo que encontrei, rs…)

Sabe quando girávamos um botão do rádio para sintonizar a estação que queríamos e por mais perto que estivéssemos da frequência correta, nunca conseguíamos parar certinho e a estação até pegava mas com ruídos e tal? Então, é assim que me sinto depois de ter vivido fora. Não consigo sintonizar na frequência antiga mesmo que o cenário seja mega parecido.

Voltei para São Paulo, mais precisamente para a Zona Leste da cidade, região onde nasci e cresci e conheço de trás pra frente. Trabalho na mesma área de antes da viagem, Tecnologia da Informação. Amigos, família, tudo está no seu devido lugar. Mas… Eu não me encaixo.

É uma sensação esquisita e solitária.

Clichê, mas é isso, você vai de um jeito e volta de outro. Acho muito difícil alguém voltar de algo assim exatamente como foi. Não rola. São muitas experiências, muitos desafios, muita novidade e cabe a nós fazer bom uso de tudo isso. Voltar diferente é uma coisa, mas voltar melhor, vai depender do indivíduo.

Como ser humano, acredito que voltei muito melhor porque voltei carregada de desejo de viver o que é essencial. Fiz algumas trocas, tenho valorizado mais as questões socioambientais, por exemplo. Olho de forma diferente para minha conta bancária e gasto com mais cautela. Não me tornei uma naturalista radical, rebelde sem causa ou coisa assim, continuo gostando de ir ao cinema, de comer fora, tomar um vinho, etc, mas agora tento colocar meu coração em tudo o que faço e repenso nas quantidades, na necessidade, etc. Acho que é a tal da consciência.

Moçambique é um país pobre, e também não há como voltar sem repensar nos excessos. Quando lembro da escola pública onde fiz trabalho voluntário, das ruas de Maputo, sinto uma dor muito grande em saber que ainda há pessoas sem a instrução, alimentação, transporte, saúde, adequados. E lembro também que não é preciso ir muito longe. Sou da periferia, a gente tem muito canto assim no Brasil. Ainda há muito por fazer.

Alunos de uma escola pública de Maputo, Moçambique

Alunos de uma escola pública de Maputo, Moçambique

Por outro lado, na África há países com regiões mais desenvolvidas que as nossas, como a África do Sul, por exemplo. Estive em cidades que deixaram São Paulo no chinelo no quesito limpeza, organização, estrutura, etc. E isso faz a gente ver com mais clareza ainda, o quanto somos roubados e humilhados diariamente pelo nosso governo e empresas privadas e o quanto somos passivos.

Quem se mete numa aventura como essa, de viver fora da pátria por um tempo, deve saber que há efeitos colaterais sim. Tudo muda. Você poderá estranhar sua língua materna, seu bairro de nascença, o comportamento dos seus pais e familiares, seus amigos. O paladar, o gosto musical, os assuntos de interesse e muito mais podem se transformar e você terá um belo e único momento de redescoberta e piração. Mas tenho fé que o saldo seja bom no final. Já está sendo. ;)

Não dá pra viver como vivi em Maputo, e não dá pra voltar a ser a Sâmela de antes da África. Às vezes sinto que flutuo em meio à rotina maluca desta grande metrópole que é São Paulo. Ajo por osmose, para me sentir parte do grupo e não ser inconveniente ou chamar atenção demais. Minhas opiniões passaram a divergir muito das de muitos amigos e as vezes sinto o preconceito e desdém no ar. Não que o que eu pense hoje seja o certo e o resto do planeta esteja pensando errado, mas o pensamento mudou pra algumas coisas, aí, quem conheceu a Sâm de antes acaba estranhando a Sâm de agora.

Giro o botão do rádio diariamente pra ver no que vai dar. Mesmo após 1 ano, não deu em nada muito consistente. Ainda não encontrei a frequência certa, mas prefiro essa dúvida e incerteza que podem me mover até o novo do que a inércia em que eu andava. Meio a Alice depois de conhecer o País das Maravilhas.

Maputo e eu...

Maputo e eu…

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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Aberta para balanço: como foi esse 1º ano pós África?

Há dias em que parece que já faz mais tempo, em outros parece que foi ontem. Fico me perguntando quando algumas sensações vão passar e quando outras, que a África me proporcionou, vão voltar. Retornar de vez ao Brasil foi um misto de alívio e saudade.

Alívio porque meus últimos dois meses em Moçambique foram terríveis do ângulo “vida pessoal”. Meu relacionamento na época afundou e eu estava me separando de uma maneira inesperada. Para agravar, não era pegar uma trouxa de roupas e voltar para o meu bairro de origem na casa da minha mãe, era um pé-na-bunda intercontinental com direito a chegar com uma mão na frente e outra atrás. Pra muitos pode ser exagero, pra alguns fui até forte demais, praticamente uma lady, diante do buraco que se abriu na minha frente.

Se fui uma pamonha ou heroína, fato é que doeu pra caramba e eu tinha duas escolhas: voltar ou voltar. Mas eu não voltei. Quem voltou foi uma outra Sâmela, uma bem melhor do que a que foi e é por isso que sou grata a toda essa experiência no berço África. E é aí que mora a saudade.

Eu com as “Mamanas moçambicanas” em Maputo - 2011

Eu com as “Mamanas moçambicanas” em Maputo – 2011

Ai… Quanta coisa boa eu vivi naquele lugar! Quantas pessoas incríveis entraram na minha vida e a mudaram completamente. Quantas novas experiências e aprendizados! E digo, humildemente, que é a típica experiência que só vai entender a proporção do meu encanto, quem já passou por algo similar. “Mas o que você viu lá de tão bacana assim? Ah, você está exagerando… Ah tá, sei”, são frases que escuto e que no fundo não sei explicar de um modo que faça a pessoa entender o quão incrível foi. Passei a ignorar o desdém e o preconceito na fala das pessoas. Só eu sei quem eu era, o que vivi, o que sou hoje e o que é realmente importante pra mim, e isso me basta.

A sensação atual é de gratidão. O que sobrou de toda a aventura foi isso. Sou grata por ter tido a oportunidade de bater de frente com meus preconceitos, defeitos e certezas. Sou grata por ter, mesmo que na minha velocidade, me tornado uma pessoa mais livre e mais compreensiva com as diferenças. Grata por depois de abandonar tudo: família, amigos, casa, mobília, emprego de salário bom em São Paulo, aprender a valorizar cada pequena conquista. Grata por aprender que o valor das coisas que não se pode comprar, como as relações humanas por exemplo, é muito maior do que muito ouro por aí. Grata por ter conseguido transpor o desfecho imprevisto e transformá-lo em lições e em algo tão bacana quanto o projeto socioeducativo baseado na minha vivência em Moçambique, Marula Brasil. Grata por de alguma forma ter atraído esta experiência magnífica e singular para minha vida.

Palestrando em escolas públicas de São Paulo, pelo Projeto Marula Brasil

São muitas histórias desde meu retorno em 12 de Junho de 2012, e vou me dedicar a contar algumas a vocês. A “africana” voltou! :)

No próximo mês, vou falar de alguns temas neste 1 ano e, se você tem alguma curiosidade, deixe sua sugestão aqui nos comentários! O que eu ainda não contei sobre morar em Moçambique? O que você quer saber sobre quem passa uma temporada na África? E os outros países que conheci: Suazilândia e África do Sul, ficaram dúvidas sobre eles?

Conto com a sua participação para escrever estas novas histórias!

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade das aventuras em Maputo, Moçambique.

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Desafios e dicas da vida profissional de um estrangeiro em Moçambique

Faz 3 meses e 13 dias que voltei para o Brasil, mas como eu esperava, o bloguinho ainda rende frutos! :) Até hoje recebo inúmeros pedidos de auxílio de pessoas que estão indo para Moçambique e que querem saber dicas, tirar dúvidas e na maioria das vezes, saber como era minha rotina lá. De mulheres que estão indo acompanhar seus maridos, então! De todos os questionamentos, os dois maiores temas são Safari, que já escrevi nestes 2 posts: Safari na África: você deveria fazer uma vez na vida!Camping no Kruger! Bom, bonito e barato!, e Vida Profissional, onde falo um bocado no meu outro blog, o Blog da Sâ, mas que não havia dedicado nenhum post aqui ainda, a não ser quando comentei sobre minha experiência como professora em uma Universidade moçambicana, mas foi algo mais light.

Então, vamos lá! Como vocês já sabem, lecionei por alguns meses num curso de Ciências da Comunicação, mas também trabalhei por 4 meses na parte administrativa de uma pequena agência de publicidade, e posso lhes dizer: a vida profissional é um dos maiores desafios em qualquer mudança, seja de município, estado ou país. Aliás, quando você muda de emprego na mesma cidade já é um desafio, novas rotinas, processos, costumes, chefes e por aí vai. Mas tenho que confessar que na mudança de país, o buraco parece ser mais embaixo.

Aí vai uma pequena lista de desafios que encontrei:

1) Cota de estrangeiros

Em Moçambique, até onde pude verificar, só é possível ter 10% das vagas dedicadas a estrangeiros. Como boa parte das empresas não são grandes, fica difícil contratar. Por exemplo, uma empresa de 10 funcionários, que já é grandinha, só pode ter 1 estrangeiro… já dá pra ver que cada vaga é bem disputada.

2) O ritmo de trabalho

Todo mundo que vai pra lá estranha. Ainda não posso dizer com certeza pois só morei em um país diferente do Brasil, mas brasileiro trabalha pra caramba! A gente já está acostumado com leis trabalhistas, carga extra de trabalho, prazos curtos, qualidade, vida acadêmica ativa, princípios de liderança e gestão de pessoas, etc. Isso faz da gente ótimos profissionais, sem exageros. Mas em Moçambique, senti na pele o quanto o momento histórico que eles ainda vivem, interfere no ritmo e qualidade dos serviços. Coisas básicas como atendimento ao cliente são grandes calcanhares de Áquiles. Tive a impressão de que eles ainda não tem aquele sentimento de que o cliente é quem paga o salário deles no final do mês. E para nós, que já temos esse princípio mais consolidado, fica difícil se adaptar. É como se voltássemos um pouco no tempo.

3) A língua

O Português falado em Moçambique é o de Portugal e temos que nos adaptar para tornar a comunicação, oral e escrita, mais fácil. Mas além disso, perdi muitas oportunidades por não ser fluente em Inglês, e em alguns momentos, em Francês também. São muitas multinacionais, são muitos estrangeiros vivendo ali, e fronteiras muito próximas com países de língua inglesa, aí já viu. E nesse quesito, dá uma invejinha boa dos moçambicanos! Eles parecem ter muito mais facilidade do que nós para aprender outro idioma e se quiser saber minha teoria sobre isso, clique aqui.

Diante deste cenário, tive minhas experiências profissionais mas não da forma consistente que eu precisava. Um lugar bacana, com registro, salário justo, etc, foi um sonho difícil de realizar em Moçambique.

É muito mais seguro ir com um emprego garantido mas não é fácil. Conheci inúmeras esposas, namoridas e afins que foram morar em Maputo para acompanhar seus cônjuges que receberam gordas e/ou interessantes propostas e foram expatriados. “Expatriado” é um termo que aprendi a usar lá, trata-se de funcionários que trabalham no Brasil mas são enviados para trabalhar em filiais ou projetos no exterior. Eles tem todo o suporte da empresa brasileira e, na maioria das vezes, bons benefícios que fazem a mudança valer a pena. Mas a esposa vai de “gaiata” na história e depende dela se adaptar ao cenário novo. Algumas grandes empresas até prometem auxiliar as esposas a se recolocarem no mercado, já que sabem que esposa descontente é sinônimo de marido com a cabeça quente no trabalho e isso pode significar uma passagem de volta do casal, o que é um prejuízo para a companhia. Mas em Moçambique, não vi isso ser tão eficaz.

O jeito é correr atrás! Dentre muitas coisas que podem ser feitas, uma das que considero mais importantes é obter a Equivalência do Diploma. Para você trabalhar em sua área ou continuar seus estudos, o Governo Moçambicano tem que emitir um documento que diga que sua graduação é reconhecida no país. Isso deve ser feito logo no início, pois este documento costuma demorar para ficar pronto, o meu saiu em 2 meses, mas já houve casos de mais de 7. Em Janeiro de 2012, o processo que fiz foi o seguinte:

  • Minha Certidão de Equivalência Acadêmica! É bonita, viu! Rs…

    1) Carta escrita a mão solicitando a equivalência (Modelo de Carta de Equivalência Escolar em Mocambique)

  • 2) DIRE (visto de residência permanente em Moçambique)  original + *Cópia autenticada (se ainda não tiver DIRE, o Passaporte + *Cópia autenticada resolvem)
  • 3) Histórico do Ensino Médio original + *Cópia autenticada
  • 4) Histórico da Faculdade + *Cópia autenticada
  • 5) Diploma original + *Cópia autenticada
  • 6) Ficha disponibilizada pelo setor de Equivalência da Universidade Pedagógica de Moçambique (você pode preencher na hora)

*cópias autenticadas em um cartório moçambicano

Reunindo todos estes documentos, é só ir até a Universidade Pedagógica que fica no final da Avenida do Trabalho em Maputo (clique aqui para ver o mapa), entregá-los, pegar o protocolo, cruzar os dedos e aguardar! ;)

Mas fugindo um pouco do lado desafiador e burocrático, conheci pessoas que foram sem emprego, ou com um emprego meia-boca e que conseguiram superar estas dificuldades. Uma boa opção é abrir a própria empresa, virar pessoa jurídica. Já que as empresas não podem contratar o estrangeiro, ele entra no quadro de funcionários de maneira camuflada como “prestador de serviços”, um emite nota pro outro e pronto. Além disso, como abrir empresa em Moçambique não é difícil, se aventurar no próprio negócio também pode ser um ótimo escape. E dependendo do negócio, nem é preciso abrir empresa mesmo, trabalhar de casa também é super válido!

Como exemplo, minhas amigas Lidi Mendes e Lívia Monteiro estão se jogando deliciosamente na carreira de doceiras! Em Moçambique não é comum achar docinhos tão gostosos quanto os nossos, várias vezes amigas moçambicanas me pediram para ensinar a fazer o bendito brigadeiro! Lá não costuma dar certo porque o leite condensado moçambicano tem uma textura muito diferente do nosso, logo, o segredo mesmo é correr atrás de uma lata de Leite Moça Nestlé! Rs… A Lidi se especializou em Cupcakes e abriu a Marula Cupcakes, já a Lívia, criou a Comadre Docinho e estão se dando super bem! :D

Clique nos nomes e visite as páginas da “Marula Cupcakes” e “Comadre Docinho” no Facebook!

No final, o que conta mesmo é a vontade e a perseverança. Se você realmente quiser trabalhar em Moçambique, você consegue. Basta só não esmorecer ao encontrar as barreiras que citei acima e abusar de itens como paciência e criatividade. Ah, e deixar um pouco de lado a ambição de muito dinheiro a curto prazo! Isso só virá com o tempo e dedicação. Acho importante ressaltar também, que muitas das dificuldades que citei, acredito serem resquícios do pouco tempo de independência (desde 1975) e da colonização portuguesa que pra mim, foi uma das menos progressistas para os nativos. Muitas gerações vão ter que nascer e morrer, assim como aconteceu com o Brasil, para velhos costumes desaparecerem e oportunidades de aprendizado, especialização e crescimento, surgirem de forma abrangente, igualitária e consistente em Moçambique.

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas cheia de saudade de Maputo, Moçambique.

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Ensino Superior em Moçambique, minha experiência no papel de “Dra. Sâmela Silva”

Me pego lembrando de Moçambique como quem lembra de um sonho bom. Agora tudo virou aprendizado e sinto uma saudade tranquila, daquelas que só as coisas boas vem em mente. Das experiências mais gratificantes que tive, lecionar foi talvez a principal. Sim, humildemente e com todo o respeito aos mestres, pude experimentar ser professora, aliás, “Doutora”, como eles se referem aos professores universitários. ;)

Diferente do Brasil, onde há universidades como há padarias, em Moçambique senti que o ensino superior nacional ainda é pouco explorado e valorizado. Conheci muitos moçambicanos que foram estudar no exterior, e os destinos mais comuns eram: Portugal, Brasil e África do Sul. Falta de incentivo, investimento, estrutura, entre outros, são itens que prejudicam a continuidade dos estudos por lá.

Formada em Comunicação Social – Jornalismo, me abri para uma nova experiência quando um convite inesperado surgiu: dar aulas para a turma do último semestre de Ciências da Comunicação do ISCTEM, o Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. A princípio me assustei, afinal sou apenas graduada mas entendi que lugares como Moçambique precisam de gente com vontade, não só com diversos diplomas, e encarei o desafio.

A cadeira (é assim que eles chamam “matéria” lá) era Estratégia Avançada em Branding, puro Marketing, mas meus 2 primeiros anos de comunicação me deram a base que os alunos precisavam. Tive que ler livros, pesquisar muito, ver referências e vídeos para levar à sala de aula mais que um simples discurso. Meus alunos moçambicanos fizeram meu cérebro desenferrujar! :D

Ah… os alunos! Olha, foi um pequeno desafio convencê-los de que liberdade era diferente de zona. Chegavam na hora que queriam, faziam as tarefas que queriam, até que a pequena aqui chegou dizendo: “A gente vai se divertir e aprender muito, mas do meu jeito”. Rsrsr… Comecei a ensinar muito mais do que estratégia de marcas, entendi que ali meu papel era prepara-los para a vida: comportamento, jeito de falar, escrever, pontualidade, etc. Eles precisavam de atenção em uns passos antes.

Alunos moçambicanos nas dependências da faculdade.

Concluí que isso é fruto de aulas babacas, professores que entram, abrem um livro, começam a ditar e ponto. Resolvi fazer diferente. Graças a Deus, na faculdade na qual dei aulas, havia uma certa infraestrutura, tinha um projetor na sala, por exemplo. Eu inseria vídeos, músicas, aulas em Power Point com ilustrações, lembretes, dicas. Levei revistas e jornais, nacionais e estrangeiros, para análise e por aí foi. Até na disposição das cadeiras eu mexi quando fizemos um debate, coisas simples, banais para quem teve a oportunidade de conhecer professores bacanas, mas pra eles eu senti que fez diferença.

A dificuldade de aprendizado era nítida, a maioria morava muito longe, eles eram de origem simples, trabalhavam e estavam ali cansados. Considere o agravante de que não há transporte público decente, que os salários são baixíssimos e que o ensino fundamental e médio são precários, mas isso renderá outro post. Entre uma dificuldade e outra, aos poucos fomos nos alinhando. Fui sentindo os alunos mais interessados, presentes e com vontade de interagir. Fiz questão de mandar todas as aulas por e-mail e assim criamos outro espaço de estudo, fora das dependências da faculdade. Muitos não tinham computador e internet em casa, mas havia um laboratório de informática à disposição dos alunos e os cafés (como eles chamam as lan houses) não são tão caros por lá.

ISCTEM – Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique, local onde dei aulas.

Eu dei sorte. Toda essa infraestrutura não é regra, minha amiga Renata Moraes que o diga! Essa jornalista baiana também passou uns tempos em Maputo e lecionou na Faculdade de Jornalismo de lá… era lousa de giz e carteiras em péssimo estado. Mas, como eu disse, gente como ela fazia a diferença porque tinha vontade. Ela levava os alunos para atividades fora, incentivava debates e aplicava provas de verdade, serviu de inspiração pra mim! ;)

Apesar das dificuldades, eles estavam lá, não é fácil se formar com um quadro tão desfavorável, então, deixo aqui resgistrado meus parabéns como professora coruja! :) O mais gratificante foi aplicar o exame de fim de semestre que eu mesma elaborei. Eles absorveram muito do que passei e mostraram isso no papel! Um deslize ali, outro aqui, mas ok, faz parte! Até hoje tenho contato com eles, de vez em quando mando um e-mail perguntando como estão, se já se inseriram no mercado de trabalho e tal, as respostas vem sempre cheias de carinho tipo essa que recebi depois de divulgar as notas dos testes:

“Boa noite !

Hummm que bom saber que há só boas notas na turma!

Em nome da turma agradeço pelas aulas foram optimas, muito produtivas e superaram as nossas expectactivas! 

É uma pena que tenhamos terminada já as aulas,

Gostamos muito de ter ficado esse tempo ao nosso lado!

Passe bem e continue sendo essa pessoa e professora atenciosa; carinhosa; e acima de tudo com conhecimento e vontade de transmití-lo ! 

Bjx”

Da aluna Aissa Madaugy.

Kanimambo, Queridos alunos! Vocês nem sabem, mas quem aprendeu mesmo fui eu! Vocês são professores de vida! ;)

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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Meu contato com música africana, 6 bandas e cantores que você vai gostar!

Eu não sou uma musicopédia ambulante (se é que isso existe, rsrs…), mas desde que voltei para o Brasil, umas das coisas que mais tenho gostado de apresentar aos meus amigos são as músicas africanas.

Diferente do convencional mostrado na TV, nem só de batuque vive África! Em Moçambique, tive a oportunidade de conhecer pessoas viciadas em música de qualidade e ir em eventos com bandas que jamais eu conheceria se não tivesse morado lá, e disso tem nascido um novo gosto musical! Como eu citei acima, eu não sou “nerd”, não sei nomes de CD’s, em que ano foram gravados, qual a capa de determinado álbum, etc. Meu iPod vai de Britney Spears, passando por Audioslave, indo à Novos Baianos, sem problema algum! Rsrs… Então, vou colocar aqui aquelas bandas e intérpretes que eu gostaria que vocês ouvissem de verdade e sentissem a vibe boa dessa terra abençoada, chamada África! (cliquem nos nomes para verem páginas e sites oficiais)

Freshlyground

Essa banda é d+++! E vocês já devem ter ouvido o som deles porque na Copa do Mundo de 2010, a música tema, onde a intérprete principal foi a Shakira, foi gravada com eles! Lembram do “Waka waka”? Então! Bom, mas eles são muito mais do que “Waka waka, eh eh”, eu os vi ao vivo em um show num país vizinho chamado Suazilândia e foi incrível! Me acabei de dançar e me apaixonei definitivamente por eles! Todos os integrantes são africanos, e o cara do violão é o moçambicano, Julio Sigauque! :) Aí vai a música que  eu mais gosto pra vocês sentirem o gostinho!

2º Asa

A voz dessa mulher é indescritível de tão boa! Asa (leia-se, Asha), é de Lagos, na Nigéria, mas tem grande influência francesa devido sua criação e ela me ganhou com o álbum que leva o próprio nome, lançado em 2008. Eu consigo ouvir este álbum inteiro mais de 3 vezes por dia numa boa! É delicioso! Infelizmente não consegui ver um show dela, mas… ainda criarei oportunidades! ;) A música abaixo é a minha preferida, casaria facilmente ao som dela!

3º Goldfish

Ah!!! Eu os vi num festival também na Suazilândia e adorei! Eles foram a atração principal da 1ª noite de shows do Festival Internacional de Artes Bush Fire 2011, e o pezinho não ficava parado de jeito algum! Até onde eu sei, direto da África do Sul, Dominic Peters e David Poole misturam música eletrônica com jazz e música africana. Será que deu certo? Ouçam aqui e comentem o que acharam!

4º Jeremy Loops

Eu o conheci em Maio de 2012, e caí de amores! Direto da Cidade do Cabo (Cape Town) na África do Sul, esse carinha simpático é uma banda praticamente sozinho! Calma, deixa eu explicar! Rsrs… Ele toca diversos instrumentos, inclusive utiliza itens alternativos como brinquedos de criança, faz vozes diferentes, e ao vivo, grava cada som e depois vai juntando e formando a melodia! Enfim, é um fofo! Estávamos todos sentadinhos no gramado do Bush Fire 2012, quando ele apareceu do nada, caladinho, com seu All Star e sua boina com pena a la Peter Pan… e em 5 minutos ele fez todo mundo levantar e pular enlouquecidamente! Vejam que fofura!

5º Napalma

Eu não sei se ela pode ser considerada uma banda brasileira ou africana, mas eu os descobri em África, então vale! Rs… Isso porque um integrante é moçambicano, outro brasileiro e outro israelense (eu acho) e tudo indica que eles moram na África do Sul. Fica difícil definir e dá pra imaginar a mistura sonora, né? Os conheci também no Bush Fire deste ano e foi um dos shows mais dançantes! A comunidade brasileira foi a loucura, já que eles inserem muitas frases em português e é uma batucada só! Na época deste festival, faz frio na Suazilândia mas eles me fizeram suar! Heheheh

6º Ayo

Bom, o show dela não foi lá essas coisas no Bush Fire deste ano. Acho que o estilo dela era muito lentinho pro povo maluco que tava lá! Rsrsr… Mas a voz dessa alemã com alma africana é linda, e cá entre nós, ela também é linda e simpática! Quando ela sentiu que nós, o público do show na Suazilândia, estávamos meio acanhados, ela desceu do palco e foi pro meio do povo! Uma doida, mas conseguiu o apogeu do espetáculo com a galera gritando muito! A música que todo mundo ama é essa aqui:

Que os amantes da música africana me perdoem, mas quis deixar aqui as músicas e bandas que tive realmente contato nesse meu 1 ano e 2 meses de África! Espero que gostem da minha singela seleção!

E é ouvindo esse tipo de música que tenho conseguido me manter assim, neste clima! Hihihih

Eu curtindo muuuito o Festival de Artes, Bush Fire, na Suazilândia! (2012)

E aí, qual vocês mais gostaram? Algum som bom pra me indicar? ;)

 

 Sâmela Silva, direto de São Paulo, Brasil, mas morta de saudade de Maputo, Moçambique.

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