Archive for the ‘Argentina’ Category

Festival e Mundial de Tango Buenos Aires 2012

Tango Buenos Aires

Festival e Mundial de Tango 2012

O calendário de eventos da cidade de Buenos Aires funciona há muitos anos como um reloginho. Em janeiro e fevereiro temos o festival de verão, em abril o Bafici (que eu amo!), em novembro o festival de Jazz e por aí vai. Isso é muito bom porque sempre tem atividade cultural rolando por aqui e é mais fácil se programar (inclusive para turistas) para não perder as atrações que a gente mais gosta.

Agosto é o mês mais tangueiro do ano. O Tango Buenos Aires Festival e Mundial é o maior encontro anual deste gênero tão portenho e a edição 2012 começou no dia 14 e vai até o dia 28, são 15 dias a puro tango e com todas as atividades gratuitas. O evento tem repercussão internacional e convoca público de todo mundo.

A abertura do festival este ano aconteceu na Usina del Arte, no bairro da Boca, uma sala de espetáculos que foi inaugurada alguns meses atrás (e que terá um post inteirinho dedicada a ela em breve). O evento era somente para convidados e alguns sortudos que ganharam entradas em um concurso do Facebook (eu ganhei!! :D) e a atração principal foi um recital da Orquesta Típica Sub 25 e a participação especial dos bailarinos Juan Carlos Copes e sua filha, Johana Copes, que são dois dos maiores nomes do baile de tango da Argentina.

Usina da Arte no bairro da Boca

Usina del Arte, no bairro da Boca

Além da Usina del Arte, as outras sedes do festival são o Centro de Exposiciones Recoleta, o Anfiteatro do Parque Centenario, os teatros Colón e Regio (bem pertinho da minha casa, maravilha!) e o estádio Luna Park, onde será o encerramento.

Principais atrações e atividades

mudial de tango buenos aires 2012

Eliminatórias Tango Escenario

A programação completa do festival pode ser acessada aqui. Como são centenas de atividades diferentes seria impossível falar de todas, então deixo a listinha com os destaques e os meus favoritos desta edição ;)

Mostra Permanente Piazzolla Íntimo e Universal: Este ano o Festival faz um tributo a Astor Piazzolla, aos vinte anos de sua morte. Além de vários recitais que fazem homenagem ao compositor e sua obra, também organizaram esta mostra permanente com manuscritos, desenhos e mais de 250 fotografias, muitas delas inéditas, que revelam aspectos tanto de sua vida íntima quanto de sua vida pública.

Concertos e recitais: foram agrupados em ciclos temáticos, abarcando todos os estilos e misturando desde as formas mais tradicionais do tango quanto a nova geração de tangueiros apelidados de Sub 25, artistas e compositores de vinte e poucos anos que fazem mais que reinterpretar os clássicos, estão produzindo música nova, garantindo assim a continuidade e a vigência do tango.

Novos nomes do tango

Orquesta Sub 25 – um gênero que se renova

Os shows mais interessantes ficam por conta do ciclo Piazzolla (para mim é o grande referente de todos os tempos); o tango eletrônico do Tanghetto, que comemorou dez anos de existência; a cantora Adriana Varela cantando os clássicos do tango e a Orquesta El Porvenir, que é formada por crianças de bairros carentes da cidade.

Além disso, as propostas que mais me chamaram atenção foram os recitais que misturam tango com jazz; uma apresentação da cantora Karina Beorlegui que faz uma ponte entre tangos e fados e a Orquesta Fleurs Noires, formada só por mulheres, algo que é muito raro em um ambiente que é predominantemente masculino como o tango (ahamm, seria muito indelicado dizer ‘ambiente predominantemente machista como o tango’? :D).

Teatro Colon Buenos Aires

Espetáculo Tangocontempo no Teatro Colon

Milongas, classes e práticas de tango: Além dos concertos e recitais, o festival também oferece muitas aulas práticas (desde o nível básico até o mais avançado) para que o público coloque a mão, ou melhor, o pé na massa. E também os espetáculos de baile, que fazem cair o queixo, além das milongas onde todos vão para dançar.

Tem um monte de atrações imperdíveis nesta categoria, com destaque para o espetáculo de dança Tango y fútbol, que une elementos da dança, do esporte e fragmentos do livro El fútbol a sol y sombra, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Entre as milongas, se destacam as de tango eletrônico e a Milonga de encerramento. E entre as diversas aulas oferecidas pelos bailarinos e milongas mais famosos de Buenos Aires se destaca a aula de Johana Copes exclusiva para mulheres.

Festival de Tango Buenos Aires

Onde é o fim da fila?

Mundial de Baile: a Copa do Mundo dos bailarinos de tango é, sem dúvida, a atração de maior sucesso do Festival. Em vários lugares do mundo os casais participam de campeonatos e os vencedores vêm para Buenos Aires para competir entre si e com os donos da casa. As categorias são o tango escenario (o tango para os palcos, cheio de acrobacias e piruetas) e o tango salón (o baile apropriado para as pistas de dança). Os campeões são escolhidos por um júri especialista.

As entradas para as finais de cada categoria são distribuídas antecipadamente e são disputadas quase a tapa. Este ano fizeram a entrega na 2a-feira passada, que era feriado aqui e em três horas já estava tudo esgotado, dá uma olhadinha na fila que se formou, uma loucura :D

Mundial de Tango Buenos Aires

Classificatórias do Mundial de Tango

*As fotos utilizadas foram retiradas da página oficial dos Festivais de Buenos Aires no Facebook.

Bueno, já deu pra ter uma noção de tudo o que esse festival movimenta. É mais ou menos similiar ao que acontece com o Carnaval brasileiro (em uma escala muito menor, obviamente), com vários meses de preparação antes da grande festa. Sorte nossa que como público, a única coisa que temos que fazer é participar e curtir! Deixo pra vocês esse vídeo com uma das melhores músicas de Piazzolla, Libertango. Que tal dar uma espiadinha?

 

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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As leoas do esporte

Olimpíadas 2012 em Londres

Os Jogos Olímpicos são destes eventos que, por mais que a gente queira, são difíceis de ignorar. É só abrir o jornal, ligar a TV ou entrar na Internet que lá estão as cinco argolinhas para lembrar que durante quinze dias a elite do esporte mundial estará competindo e colocando os limites do corpo humano à prova. E isso sem contar aquela musiquinha do filme Carruagens de Fogo, que já virou trilha sonora obrigatória de todas as Olimpíadas. Ainda bem que só acontece de 4 em 4 anos! :D

O futebol, o esporte mais popular da Argentina (e do Brasil também, hehehe), dessa vez ficou de fora. Depois de ter conseguido a medalha de ouro por duas vezes consecutivas (em Atenas-2004 e Pequim-2008), meu querido Leo Messi (sem dúvida uma das maiores ausências nestes Jogos) e companhia não se classificaram para Londres. Por isso, os argentinos estão concentrando a torcida em outros esportes que eles também são fortes, como o basquete (que ganhou o ouro em 2004) e o tênis.

E um outro esporte que é muito popular por aqui é o hóquei de campo (ou hóquei sobre grama). Para quem não está muito familiarizado com este esporte, o hóquei é praticado por dois times de 11 jogadores. O jogo é dividido em dois tempos de 35 minutos cada um, com intervalo de 10 minutos. O objetivo, igual ao futebol, é marcar gols, conduzindo a bola com um taco.

Hoquei feminino Argentina

As Leonas estrearam com uma vitória contra a África do Sul

A seleção argentina feminina de hóquei é atualmente uma das mais fortes do mundo ao lado da Alemanha e Holanda. As jogadoras são chamadas carinhosamente de Las Leonas e são uma verdadeira sensação nacional. A popularidade do time aumentou à medida que elas foram conquistando vários títulos nos últimos anos.

Foram sete medalhas na Copa Mundial de Hóquei (duas de ouro), três medalhas olímpicas (duas de bronze e uma de prata), nove medalhas no Troféu dos Campeões (cinco de ouro) e sete medalhas nos Jogos Panamericanos (seis de ouro e uma de prata – praticamente são as donas do pedaço na América). Agora em Londres, a expectativa é que possam finalmente conquistar pela primeira vez uma medalha de ouro olímpica. Pelo menos na estréia elas arrasaram, venceram a África do Sul por 7 a 1.

Argentina e Holanda final campeonato hoquei feminino

Argentina contra Holanda no Mundial de Hóquei

A estrela das Leonas é a jogadora Luciana Aymar. Se no futebol sempre existe a briga para saber quem é o melhor jogador da história (Pelé, Maradona, Ronaldo, Zidane, Messi, etc), no hóquei feminino só dá Luciana. A capitã do time argentino já foi eleita pela Federação Internacional de Hóquei como a melhor do mundo em sete oportunidades e foi a única jogadora que recebeu o prêmio por quatro anos consecutivos (2007 a 2010).

Las Leonas Argentina

Luciana Aymar, a melhor jogadora de hóquei do mundo

A menina é uma fera, e ela foi eleita para carregar a bandeira argentina na cerimônia de abertura em Londres, uma honra que é reservada para bem pouca gente, além de ser um reconhecimento à carreira da atleta em sua última participação em uma Olimpíada.

As goleiras no hóquei precisam se proteger bem

O que me chama mais atenção no time das Leonas é o uniforme delas, que eu acho super lindo e feminino (menos o uniforme das goleiras, tadinhas :D). A Adidas é a marca que faz os uniformes, a mesma da seleção de futebol. As cores e o desenho também são parecidas, as listras azuis e brancas tradicionais no uniforme principal. Um detalhe super charmoso é que tem o desenho de uma leoa na camisa. A parte de baixo é uma minissaia de cor negra (em algumas temporadas a sainha também pode ser azul celeste).

A Adidas apresentou um novo modelo para as Olimpíadas de 2012. A maior diferença foi o uniforme alternativo, que agora é violeta com detalhes em fúcsia, em lugar do tradicional azul marinho, tanto para a camiseta quanto para a sainha. Uma gracinha!

Camisetas das Leonas modelo novo – 2012

E aproveitando o espírito esportivo pairando no ar, contem pra gente: qual é o esporte olímpico que vocês mais gostam de ver?

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Santa Evita

Não chore por mim, Argentina!

No meu post em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, eu apresentei várias mulheres argentinas que se destacaram em diferentes épocas e por diversos motivos. Mas Eva Perón, sessenta anos após sua morte, continua sendo a mulher argentina mais famosa de todos os tempos.

Evita na época que era atriz.

Evita passou de atriz/cantora a primeira dama, onde se consagrou como a mãe dos pobres. Sua passagem pela vida política na Argentina foi muito curta (mesmo porque ela morreu muito jovem, aos 33 anos) porém foi fulminante.

Para que tenham uma idéia, ela já participava do movimento sindicalista em 1943, mas sua vida política começou mesmo quando conheceu o Coronel Juan Domingo Perón em 1944. Oito anos depois, no dia 26 de julho de 1952, Evita faleceu em consequência de um câncer de colo de útero.

A morte prematura de Eva e o culto à sua personalidade imposto pelo governo (que começou bem antes, quando ainda era viva e foi declarada Chefe Espiritual da Nação) contribuíram para transformá-la em mártir, quase uma santa. O que aconteceu com o seu corpo depois que ela morreu é uma história curiosamente mórbida que foi contada  no livro Santa Evita, do jornalista Tomás Eloy Martinez (Li este livro em 2005, muito recomendável para quem queira saber mais sobre esta história).

A mãe dos descamisados da Argentina

O sequestro do corpo

No dia que Evita morreu, Perón encomendou a um famoso anatomista espanhol que o corpo fosse embalsamado, um trabalho que foi considerado perfeito na época. O velório, um dos mais longos da história, durou 13 dias na Câmara Legislativa e 2 dias mais no Congresso. Multidões foram atraídas para dar o último adeus, a CGT (Central Geral dos Trabalhadores) declarou um paro total das atividades até o dia 29 de julho e por um mês inteiro a programação das rádios era interrompida por um locutor que anunciava: São vinte horas e vinte e cinco minutos, hora em que Eva Perón passou à imortalidade.

O velório de Evita atraiu multidões.

Quando o período de luto oficial finalmente passou, o corpo embalsamado de Evita foi colocado em exposição no prédio da CGT, enquanto se analisava a construção de um mausoléu, que nunca chegou a ser construído.

Em setembro de 1955, um golpe militar (foram vários durante a história da Argentina) tirou o presidente Perón do poder. Os militares anti-peronistas, que odiavam Evita e que temiam o poder que ela tinha mesmo depois de morta, resolveram sequestrar o corpo e fazê-lo desaparecer.

Nos anos seguintes, ela foi levada secretamente de um lado para outro: circulou em caminhonetes que estacionavam nas ruas, foi alojada no escritório da SIE (Serviço de Informações do Exército), na casa do major Eduardo Arandia (que uma noite matou sua esposa grávida por acidente, pensando que era alguém que tinha entrado em sua casa para levar o caixão de Evita) e por muito tempo ela ficou escondida atrás da tela de um cinema do centro portenho.

A localização do corpo era tratada como uma questão de segredo de Estado e muitas versões do que tinha acontecido circulavam na boca do povo. Tanto Perón, que estava exilado, quanto o movimento peronista popular, exigiam a reaparição  de Evita.

Finalmente, quando ficava cada vez mais difícil ocultar o segredo, os responsáveis pelo sequestro decidiram despachar o caixão para a Itália. Usando documentos falsos, Evita foi enterrada em um cemitério de Milão com o nome de Maria Maggi de Magistris, onde ficou até setembro de 1971, quando seu corpo foi devolvido para Perón, que o enterrou na Espanha.

Evita finalmente foi repatriada e enterrada no Cemitério da Recoleta em 1976, em um túmulo que pertence à família Duarte e que foi construído à prova de roubos. Hoje em dia é uma das maiores atrações turísticas da cidade.

Evita nos dias atuais

Lisa Simpson, a Evita de Springfield.

A influência de Evita permanece até hoje, tanto na Argentina quanto no mundo todo. Sua vida e sua morte foram contadas inúmeras vezes na literatura, no teatro, na música e no cinema.

O musical Evita é encenado desde 1978 tanto em Nova Iorque como em Londres, e o filme que fizeram baseado nele teve nada menos que Madonna como protagonista, depois que ela lutou muitos anos para conseguir este papel.

E ontem a Presidenta Cristina Kirchner lançou uma edição comemorativa do bilhete de cem pesos com a imagem de Evita. É a primeira vez que colocam a figura de uma mulher no dinheiro argentino, e esta nova nota substituirá aos poucos as notas de cem pesos que circulam atualmente.

Novo bilhete de cem pesos

Ufa, este post ficou longo! Mas com tanta informação interessante a respeito de Evita, seria impossível fazer algo mais resumido. Amada cegamente por uns e odiada fervorosamente por outros, ninguém fica indiferente quando ela é o assunto. Eu acho que o único argentino que pode causar uma comoção quase tão grande quando morrer será o  Maradona, mas ainda tenho minhas dúvidas quanto a isso. O que vocês acham? 

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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O fotógrafo de Buenos Aires

Avenida Corrientes

O argentino Horacio Coppola tinha 21 anos quando decidiu que queria ser fotógrafo. Desde essa época, ele teve nada menos que 84 anos de profissão, já que faleceu em junho passado, quase chegando aos 106 anos.

Filho de imigrantes italianos, ele foi para a Alemanha em 1932, onde estudou na famosa Escola Bauhaus, até a escola ser fechada pelos nazistas. Em 1935 voltou para a Argentina com sua esposa, a fotógrafa judia alemã Grete Stern, exilados pelo regime nazista.

Obelisco

Nessa época, a Municipalidade de Buenos Aires pediu para que ele fotografasse a cidade. O resultado deste trabalho apareceu no livro “Buenos Aires 1936″, que mostrava a cidade sob a ótica de toda a vanguarda modernista daquela época, materializada através das lentes da sua câmera. Essas fotografias são uma referência em termos de imagens fotográficas da capital.

Coppola também fundou o primeiro Cine Clube portenho e realizou alguns filmes, como Así nació el Obelisco, sobre a construção do maior símbolo de Buenos Aires.

Em 1960 passou a fazer fotografias coloridas e nos anos 70 e 80 também dedicou-se a ser professor.

Cine-Teatro Ópera na estréia do filme Tempos Modernos, de Chaplin.

Mostra Luz, Cedro e Pedra – Esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola

Em 1945, Coppola fez uma viagem a Minas Gerais, onde fez uma série de estudos fotográficos da obra do mestre barroco Aleijadinho. Foram 150 fotografias realizadas em Sabará, Congonhas do Campo e Ouro Preto, entre outros lugares. Estas fotos foram incorporadas à coleção do Instituto Moreira Sales em 2007.

O Instituto escolheu 81 imagens deste conjunto para a mostra Luz, Cedro e Pedra, recém inaugurada em São Paulo. Para quem quiser saber mais ou conhecer o trabalho de Coppola, a mostra estará em exibição até o dia 11 de novembro e a entrada é grátis.

O Instituto Moreira Sales fica na Rua Piauí, 844 – 1° andar, no bairro de Higienópolis. O horário é de 2a a 6a de 13 a 19hs e aos sábados e domingos de 13 a 18hs.

Para quem gosta de fotografia é um programão :D

Mostra de Horacio Coppola em São Paulo.

Deixo mais algumas fotos de Buenos Aires antiga, na visão deste fotógrafo genial, Horacio Coppola. Para outras mais, clique neste link. Qual é a sua favorita? Conta pra gente!

Rua Florida

Esquina ruas Chile e Balcarce

Rua Bartolome Mitre

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Semana de la dulzura

Um bombom por um beijo.

Aqui na Argentina, a primeira semana de julho é conhecida como a Semana de la Dulzura. Entre os dias 1° e 07 de julho, as pessoas têm o costume de presentear amigos, familiares, namorados, paqueras, etc, com um doce para receber um beijo em troca. O beijo não precisa ser necessariamente na boca, mas muita gente aproveita a oportunidade para se declarar para seus paquerinhas, rsrs.

A semana foi criada em 1989 pela fábrica argentina de doces e chocolates Arcor, em parceria com a ADGyA (Associação Argentina de distribuidores de guloseimas), como ferramenta de marketing para promover a venda de um dos seus produtos, o bombom Bon o Bon, parecido com o nosso Sonho de Valsa.

Usando o irresistível slogan Una golosina por un beso (Uma guloseima por um beijo), originalmente a idéia era trocar apenas bombons pelos beijos, mas a campanha fez tanto sucesso que hoje em dia qualquer doce entra na troca, principalmente alfajores, chocolates, caramelos e pirulitos.

Kiosco, loja de conveniência tipicamente argentina.

A data é comemorada todos os anos, e já é tão tradicional que virou mais uma marca registrada argentina. Estima-se que as vendas de doces aumenta uns 20% nessa semana, e não é somente os kioscos (que são uma espécie de lojas de conveniência muito comuns aqui na Argentina) e os fabricantes de doces que aproveitam a ocasião para aumentar suas vendas. Muitas lojas de roupas e outros tipos de comércio entram na brincadeira e presenteiam os clientes com bombons e doces.

Zoando o Independiente.

E como os argentinos nunca perdem a oportunidade de serem engraçadinhos (perdem o amigo mas não perdem a piada :D), a semana da dulzura serve até para provocar os torcedores de times rivais, como é o caso deste pôster que encontrei no Google onde tiram sarro do Club Atletico Independiente, um dos times de futebol mais tradicionais da Argentina e também da América do Sul, mas que tem uma das torcidas mais amargas do mundo :D

A semana de la dulzura foi criada com fins puramente comerciais, sem dúvida nenhuma, como várias outras datas que comemoramos ao longo de cada ano. Mas bem que a gente deveria aproveitar este tipo de ocasião para estreitar os nossos laços com as pessoas que são mais queridas, trocando coisas tão simples como bombons e balas por outras mais simples, e que ainda por cima são grátis, como beijos e sorrisos!

Chocolates, sempre irresistíveis.

Hmmm, esse post até me deu vontade de comer chocolate (e de beijar também, claro!). Conte pra gente, a quem você daria um doce em troca de um beijo??

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Sapatos de tango

Sapatos de tango, acessório fundamental para o baile.

Quando eu era mais nova não era nada fanática por sapatos. Sempre achava uma tortura ter que sair para comprar um par de sandálias (ou qualquer outro calçado), principalmente quando não gostava do que estava na moda na ocasião (é duro ir de loja em loja e ver sempre a mesma coisa nas prateleiras!). Por isso encarava a tarefa como algo tão prazeroso como uma visita ao dentista :D.

Embora eu ainda esteja a léguas de distância de ser uma Carrie Bradshaw, com o passar do tempo fui encontrando mais atrativos em um bom par de sapatos (se tiver um belo salto alto, melhor ainda). E mais ainda agora, toda vez que vou a uma classe ou prática de tango, não posso deixar de ficar reparando nos sapatos das mulheres.

Os sapatos são fundamentais para o baile em qualquer nível, não somente para os famosos shows de tango para os turistas, mas também para fazer aulas ou sair para bailar em uma milonga. Usar sapatos adequados é muito importante para evitar lesões nos pés (como as terríveis joanetes!) ou nos joelhos.

A maior diferença entre os sapatos comuns e os sapatos para o tango é a base do calcanhar, que é mais larga. O sapato de tango está feito de maneira a assegurar uma boa pisada, proporcionando maior equilíbrio e estabilidade nas passadas; e evitar torções ou machucados durante o baile. Além disso, um bom sapato vai ajudar a manter a postura adequada.

Sapatos de tango animal print

Animal Print!

Os modelos femininos, além de serem fechados no calcanhar, também apresentam uma pulseira ao redor do tornozelo. Esse detalhe é super importante para que o sapato não saia do nosso pé no meio da pista de dança! Há vários modelos: podem com a ponta fechada ou aberta (esses, que deixam os dedinhos à vista, são chamados boca de pez) ou sandálias.

O tamanho do salto varia bastante, de acordo com o gosto de cada mulher. Sapatos rasteiros não são bons para dançar, porque o salto ajuda a deslocar o peso do corpo para a ponta dos pés e isso facilita os passos. Mas tem de tudo: de sapatos com saltos mais grossos e baixos que são cômodos, até os saltos finíssimos com  10 cm de altura ou mais. São lindos e deixam as pernas mais bonitas, mas tem que ter atitude para usar :D. Detalhe: quanto mais alto o salto, menos base de apoio para o pé, o que pode atrapalhar o equilíbrio.

Outro ítem muito importante é a sola, que é feita de couro para possibilitar uma passada suave e um bom contato com o chão. Os pés precisam deslizar suavemente enquanto dançamos, por isso as solas de borracha não são apropriadas. Alguns sapatos, principalmente os masculinos, também podem ter solas feitas de cromo.

Há várias lojas especializadas para comprar estes sapatos, por todos os lugares de Buenos Aires. Algumas das marcas mais famosas são Darcos, Comme il faut e Madreselva. Mas preparem as carteiras, os preços são salgadinhos: os modelos mais simples custam a partir de 400 pesos.

Estas são as características que fazem um bom par de sapatos para dançar tango. Nem faz falta comentar que a variedade de modelos e cores é muito maior para os sapatos femininos que para os masculinos (é a lei natural das coisas, hehe). Deixo a vocês uma bela seleção de modelos para admirar.

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Agora que já sabem quais são os melhores sapatos para bailar e já puderam escolher o modelo que mais combina com seu estilo, o que estão esperando para aprender a milonguear?

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Aluga-se em Buenos Aires!

Aluguel Buenos Aires

Aluguel em Buenos Aires – um calvário!

Meu contrato de aluguel está chegando ao fim e isso quer dizer que tenho duas opções: renovar o contrato com aumento ou buscar outro apartamento. A decisão está difícil porque: A) não quero pagar o aumento, aliás quero uma casa mais barata e B) buscar outro lugar para morar dá muito trabalho. Não quero nada, né?

Enfim, enquanto decido entre se ficar o bicho pega e se correr o bicho come, vou contar para vocês como é a situação para alugar uma casa por estas bandas.

Já devemos partir do princípio que comprar um imóvel por aqui é extremamente difícil, algo quase inalcançável para o bolso da maioria da população. O mercado imobiliário na Argentina é dolarizado, o que significa que os preços de imóveis são cotizados em dólares americanos. As parcelas também são fixadas em dólares e o pagamento também tem que ser com as verdinhas. Atualmente, a compra de moedas estrangeiras está sendo rigorosamente controlada pelo governo, o que talvez possa levar a uma pesificação do setor.

Para dificultar ainda mais, não existe FGTS nem nada parecido que possa ser usado como capital para poder pelo menos dar uma entrada. E o sistema de financiamento bancário é pouco, cobra juros altos (18% ao ano como mínimo) e o valor das parcelas não pode ultrapassar uns 25% do ingresso familiar. (Nada como um programa Minha Casa, Minha Vida!)

Minha Casa, Minha Vida.

Com tudo isso, a opção para muita gente é alugar. E cumprir com todas as regras e a burocracia para finalmente ter a chave na mão.

Aqui está a listinha do que os inquilinos precisam para alugar com imobiliárias:

  • Garantia (fiador): com certeza este é o mais difícil de conseguir. Pedem um fiador com imóvel na Capital e muitas vezes que seja de parentes diretos. Os mais flexíveis aceitam garantia da Provincia (cidades vizinhas) e não precisa ser parente. Seguro-caução é pouco aceito e os bancos cobram uma fortuna para fazer. Há um mercado negro de venda de garantias (arriscado :D).
  • Recibo de Sueldo (o famoso Hollerith): na falta deste, temos que apresentar algum outro comprovante de ingressos. Trabalhar registrado em empresas de bom nome no mercado facilita um pouco.
  • Depósito: No valor equivalente a um mês de aluguel. É devolvido no final do contrato (sem reajuste por inflação), mas desse valor podem ser descontadas contas pendentes de pagamento, como o condomínio, ou alguma depredação do imóvel.
  • Comissão da imobiliária: No valor equivalente a dois meses de aluguel. No meu ponto de vista é o maior absurdo que pode existir, que o inquilino tenha que pagar comissão para as imobiliárias. Enfim, não temos Minha Casa, Minha Vida aqui.
  • Gastos administrativosEm geral estão cobrando 500 pesos para fazer a investigação dos papéis dos fiadores, cartórios, etc. Pagam os inquilinos.
  • Aluguel adiantado: Isso é normal no Brasil também, já pagamos o primeiro mês no ato de assinar o contrato.
  • Contas a pagarFora o aluguel, temos que pagar também as expensas (condomínio), água, luz, gás, telefone e ABL, que é um imposto municipal. Algumas expensas já incluem todos os outros gastos, mas a maioria não.

Os contratos são feitos por dois anos, com um reajuste de preço após um ano, que já é estabelecido antes. Algumas imobiliárias querem cobrar reajustes semestrais, mas isso é contra a lei. Para rescindir o contrato antes do tempo, em geral há que pagar uma taxa.

Para quem não reúne todas estas exigências, há a opção de aluguéis temporários, que exigem menos mas em compensação são muito mais caros. Na maioria das vezes, os aluguéis temporários são cobrados em dólares e os apartamentos são mobiliados.

Links úteis na hora de buscar apartamentos

Deixo aqui os melhores links para buscar apartamentos em Buenos Aires, sejam temporários ou não. É muito importante visitar os apartamentos, porque sempre aparecem gatos por lebre. A maioria dos apartamentos têm preço muito similar, por isso é preciso gastar muita sola de sapato, assim podemos escolher os melhores lugares.

  • Clarín clasificados: é melhor que os classificados do jornal La Nación, está dividido por bairros, possui fotos, mapas e toda a informação necessária sobre os imóveis. Para compra, aluguel comum e temporário.
  • Argenprop: é similar ao do Clarín.
  • Baires Apartments (temporários): para aluguéis temporários, podem ser úteis para turistas também, às vezes vale a pena alugar ao invés de ficar em hotéis.

Alugado!

Muita calma nessa hora….vou começar a me preparar espiritualmente para encarar esta tarefa! Desejem-me boa sorte!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Curiosidades de Buenos Aires

Sabe aquela coisa de Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã (grande Chico, te amo!)? Pois é, vivemos em tanta correria que muitas vezes nos colocamos em piloto automático e nem reparamos no mundo ao nosso redor (eu, pelo menos, sou assim, hehe).

Mas de vez em quando a gente desperta para o mundo, e nessas horas a cidade aproveita para deslizar algum segredinho dela, para fazer a gente ficar com cara de boba o dia inteiro, sorrindo feito criança e pensando: puxa vida, só agora que me dei conta disso!

Essa pequena divagação foi só porque eu quero apresentar para vocês alguns desses segredinhos que minha Reina del Plata foi me mostrando nesses últimos tempos. Com vocês, algumas curiosidades de Buenos Aires:

Obelisco

O Obelisco é o maior ícone de Buenos Aires e é conhecido no mundo inteiro como o cartão postal da Argentina. Foi inaugurado no dia 23 de maio de 1936, e em 1938 quase foi demolido pelo Conselho Deliberante da Cidade (28 votos a favor e somente 3 contra a demolição – só foi salvo porque o governo nacional vetou a decisão). Naquela época, dez entre dez portenhos achavam o Obelisco a coisa mais horrorosa do mundo! :D

O endereço formal do Obelisco é Avenida Corrientes 1066

Com 67,50 metros de altura, o Obelisco é oco por dentro, e no seu interior existe uma escada de ferro presa na parede com 206 degraus usada para limpeza, conservação e manutenção. O Obelisco não é aberto à visitação pública, o que é uma pena, pois tem uma visão privilegiada da cidade e do Rio da Prata (difícil seria subir esta escadinha estreita e escura para chegar lá em cima, hehe)

Cada um dos seus lados simboliza diferentes coisas:

1- Fundação da cidade de Buenos Aires em 1536;

2- Refundação de Buenos Aires em 1580;

3- Criação da Capital Federal em 1880;

4- 1º içamento da bandeira argentina na Igreja de San Nicolás (que foi demolida para dar lugar ao Obelisco).

O metrô de Buenos Aires

Em 1913 foi inaugurada a linha A do metrô de Buenos Aires (o Subte, como é chamado aqui), o primeiro da América do Sul. O recorrido ia da Plaza de Mayo até a Plaza Miserere, no bairro de Once.

Os trens de madeira que foram usados desde a época da inauguração ainda podem ser encontrados em funcionamento na linha A, que atualmente vai da Plaza de Mayo até a estação Carabobo. Lamentavelmente estão sendo substituídos por trens (um pouco mais) modernos e desaparecerão em breve (é compreensível, já que eles têm quase 100 anos e estão muito defasados, mas eu acho um charme! ;)).

Trem de madeira do século passado que ainda é utilizado na linha A do metrô.


Tesouro arqueológico

Barco espanhol do século XVIII

Puerto Madero é o bairro mais novo de Buenos Aires e tem uma das maiores taxas de prédios em construção na capital. Em 2008, durante a escavação de um poço em uma das milhares de obras que existem por lá, os operários encontraram peças metálicas e pedaços de madeira. Desconfiados, entraram em contato com a Comissão para a Preservação do Patrimônio Histórico Cultural (CPPHC) da cidade, que mandou para lá uma equipe de arqueólogos.

O resultado foi a descoberta do esqueleto de um barco espanhol do século XVIII, que havia encalhado no lugar. Além do casco do barco, foram resgatados vários objetos como vasilhas de cerâmica, cordas, pedaços de couro e quatro canhões intactos, entre outros (não, não encontraram nenhum pote com moedas de ouro ;)).

Foi um dos maiores achados arqueológicos da cidade, em uma área que é rica em vestígios fósseis de animais e restos humanos. Essa descoberta foi possível graças ao trabalho do programa Historia bajo las baldosas (História debaixo dos ladrilhos), da CPPHC. Depois de ficar em exposição para o público durante alguns meses, o barco foi removido e transferido para o bairro da Boca, onde voltou a ser enterrado para sua total preservação.

Chapeuzinho Vermelho

Monumento à Chapeuzinho Vermelho

Na Plaza Sicilia, dentro do Parque 3 de Febrero (também conhecido como Bosques de Palermo), está localizado o Monumento à Chapeuzinho Vermelho (Caperucita Roja, em castelhano). É uma das poucas cidades no mundo que homenageiam este personagem infantil (há outro monumento famoso também em Barcelona).

O Lobo Mau!

O governo da cidade encomendou a estátua de mármore (de autoria do escultor francês Jean Carlus), que foi talhada em Buenos Aires em 1937. Chapeuzinho é retratada como uma menina de cabelos cacheados que leva uma cestinha de doces e flores nas mãos. Escondido, o Lobo Mau a espia.

Em 2010 a estátua desapareceu do seu pedestal e surgiram vários rumores de que tinha sido roubada. No entanto, o mistério foi esclarecido em pouco tempo. Ela tinha sido retirada para ser restaurada, e depois de três meses e meio de trabalhos, foi devolvida a seu lugar nos bosques.

Além do monumento, também existe uma rua que se chama Caperucita. Trata-se de uma ruazinha curta (um pasaje, como se diz por aqui), no bairro de Parque Chacabuco.

Que ternura!

Muitas curiosidades estão escondidas nos lugares onde menos esperamos. Vocês conhecem alguma história curiosa do lugar onde moram? Compartilhem com a gente! E aproveitem para conferir outras atrações de Buenos Aires neste post aqui!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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Ricardo Darín

Ricardo Darín é sinônimo de cinema argentino.

Assim como o Chico Buarque é unanimidade entre as mulheres brasileiras, na Argentina também existe um galã de olhos claros que arranca suspiros de quase toda a mulherada. Só que neste caso, ao invés de cantar a alma feminina como só o Chico sabe fazer, o ator Ricardo Darín representa em seus filmes o homem   sensível, atormentado, forte pero sin perder la ternura jamás.

Ricardo Darín nasceu em Buenos Aires no dia 16 de janeiro de 1957. Filho de atores, estreou no teatro aos 10 anos de idade. Trabalhou muitos anos na TV argentina fazendo novelas, na maioria das vezes em papéis de galã, e também em programas de humor. A partir dos anos 90 dedicou-se a uma carreira no cinema extremamente bem-sucedida e premiada, participando em praticamente todos os filmes argentinos importantes das últimas décadas.

Embora seja um ator de cine estabelecido, nunca deixou de fazer teatro, o que é uma excelente oportunidade de vê-lo em carne e osso de vez em quando (sua última peça foi em 2010). E para que ninguém duvide de seu talento, também trabalha atrás das câmaras como roteirista e diretor. Totalmente multi-facético!

Com vocês uma seleção dos melhores filmes de Ricardo Darín:

Nove Rainhas (Nueve Reinas – Fabián Bielinsky – 2000 ): O filme conta a história de dois picaretas que armam um golpe a um milionário espanhol, em um submundo de Buenos Aires onde ninguém pode confiar em ninguém,  com muitas doses de humor e suspense e muitas reviravoltas até o final.

Sucesso de público e de crítica, Darín passou a ser considerado como um “ator sério” pelos argentinos a partir deste filme.

O filho da noiva (El hijo de la novia – Juan Jose Campanella – 2001): Darín interpreta um homem em crise da meia-idade, estressado, atolado em seu trabalho e sem dedicar muito tempo aos seus pais idosos, à sua namorada ou  mesmo ao seu filho. Após sofrer um ataque cardíaco, ele começa a repensar o modo que leva a vida.

Esta comédia dramática consagrou Darín como super-estrela do cinema internacional e foi indicada ao Oscar de melhor fime estrangeiro de 2002. Uma pena que não ganhou.

Kamchatka (Kamchatka – Marcelo Piñeyro – 2002): A ditadura militar de 1976, tema sempre presente no cinema argentino, é vista pelos olhos de um menino que conta suas lembranças dessa época na qual sua família é obrigada a viver  escondendo-se para não ser presa.

Um dos filmes mais sensíveis de Darín, onde se utiliza a cultura e a estética pop dos anos 70 para falar de uma tragédia nacional.

O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos – Juan Jose Campanella – 2010)Um filme policial onde Darín faz o papel de um funcionário dos Tribunais portenhos que quando se aposenta resolve escrever um livro sobre o caso mais marcante de sua carreira: o estupro e assassinato de uma jovem dona-de-casa em 1974, um crime que não pôde ser solucionado. Com muitas idas e vindas narrativas entre passado e presente, o personagem tenta encerrar este caso e também outros aspectos de sua vida, como a paixão platônica que sente por sua chefe.

Mais uma colaboração entre Darín e o diretor Campanella (já tinham feito O filho da noiva, O mesmo amor, a mesma chuva e Luna de Avellaneda juntos), este foi o filme argentino de maior arrecadação e o mais visto no país nos últimos 35 anos. Também rendeu o segundo Oscar de melhor filme estrangeiro para a Argentina (O primeiro foi A história oficial, de 1986).

Abutres (Carancho – Pablo Trapero – 2010): No filme mais perturbador de sua carreira, Darín interpreta um advogado que recorre os hospitais de Buenos Aires após acidentes de trânsito, em busca de clientes para a agência em que trabalha, especializada em fraudar as seguradoras. Durante suas idas e vindas aos setores de emergência, se apaixona por uma médica  plantonista, o que o fará pensar em desistir do trabalho sujo.

Com cenas e diálogos fortes, o suspense vai crescendo até o final, que deixa os espectadores com a sensação de um verdadeiro soco no estômago.

Um conto chinês (Un cuento chino – Sebastián Borenzstein – 2011)No papel de um veterano da Guerra das Malvinas, Darín tenta ajudar a um chinês que não fala uma palavra em espanhol e que está perdido em Buenos Aires em busca de um tio, causando uma reviravolta em sua antes metódica rotina.

O filme mostra dois estranhos tentando conviver  com suas diferenças culturais e como se constrói uma amizade entre eles. Tudo isso causado por um evento (que foi baseado em fatos reais) um tanto quanto surreal: a queda de uma vaca do céu, na China!

Em uma semana onde só se respira cinema em Buenos Aires por causa do BAFICI, apresento a vocês o maior ator do cinema argentino. Já viram algum filme do Ricardo Darín? Qual é o melhor deles? Contem pra gente!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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BAFICI – Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires

14º Festival Internacional de Cine Independende de Buenos Aires

Nesta semana começa a 14ª edição do BAFICI, um dos festivais de cinema independente mais importantes da América Latina. Uma verdadeira maratona cinéfila, essa edição inclui nada mais, nada menos que 449 filmes de todo o mundo, entre curtas e longas-metragens. É a única oportunidade para ver muitos destes filmes, que dificilmente chegariam ao circuito comercial.

O BAFICI surgiu em 1999 e desde então o público do festival cresce a cada ano. No ano passado chegou a alcançar 300.000 espectadores entre todas as suas exibições. As entradas custam 15 pesos (13 pesos para estudantes e aposentados) e podem ser compradas pela internet e também nos postos de venda autorizados. São onze sedes, entre elas a sala Leopoldo Lugones do Teatro San Martin, o Malba Cine, o cine Hoyts do Shopping Abasto, a Aliança Francesa, o Teatro 25 de Mayo, o Anfiteatro do Parque Centenario e agora também no Planetário Galileo Galilei.

O festival está dividido em várias seções: competição argentina (de curtas e longas), competição internacional (idem), competição de cinema de Direitos Humanos, além de diversas retrospectivas e focos.

Algumas seções já são tradicionais: a Nocturna, com filmes de terror (adoro! :D); a mostra de curtas; a seção Panorama, com um apanhado de filmes de diversas nacionalidades; Música, com filmes e documentários musicais e o Baficito, uma seleção dedicada aos baixinhos.

Além disso, a programação inclui seminários, diálogos com os cineastas, projeções ao ar livre, recitais de música, apresentação de livros, a entrega dos prêmios da competição, além do Buenos Aires Lab (para fomentar o surgimento de novos nomes no cinema independente) e o Talent Campus (atividades voltadas para estudantes de cinema latino-americanos), entre outros.

Programação destacada

Com tanta diversidade e tanta oferta, é praticamente impossível ver todos os filmes do festival. Por isso é preciso garimpar entre as atrações disponíveis de acordo com as preferências de cada um, mas estes são alguns dos filmes destacados dessa edição, segundo os críticos e os meios especializados (detalhe – todos já com entradas esgotadas em poucas horas):

El último Elvis - Armando Bo Jr

El último Elvis (2011), de Armando Bo Jr – A abertura do festival estará a cargo do filme do cineasta argentino estreante. Conta a história de um imitador de Elvis Presley que acredita firmemente que é uma reencarnação do cantor e entra em crise ao se aproximar da idade em que faleceu o “Rei do rock”.

Death Row (2012), do cineasta alemão Werner Herzog – documentário sobre presos condenados à morte nos Estados Unidos. O diretor entrevista cinco prisioneiros que esperam a data da execução.

This is not a film (2010), do realizador iraniano Jafar Panahi – polêmico documentário que causou grande impacto no último festival de Cannes, mostra o cineasta preso, esperando o veredito depois que o governo do Irã o proíbe de filmar, escrever e sair de sua casa.

Tabú (2012), recente filme do cineasta português Miguel Gomes. Rodado em preto e branco, conta a história de um romance clandestino em Moçambique (terra da nossa jardineira Sâmela :D), na metade do século XX. O filme foi prêmio de crítica e de inovação no festival de Berlim.

The Wall (1982), de Alan Parker – a versão cinematográfica do álbum conceitual do Pink Floyd será exibida no Planetário Galileo Galilei, recentemente dotado da tecnologia fulldome, ou seja, exibição audiovisual com vista de 360º. Um luxo!

Planetário Galileo Galilei, uma das sedes do BAFICI, com cinema 360º.

O Brasil vai estar muito bem representando no BAFICI. Haverá um foco dedicado ao cineasta mineiro Carlos Prates e uma restrospectiva dedicada ao cinema paulista da Boca do Lixo. Outros filmes brasileiros em destaque são As canções (2011), de Eduardo Coutinho (com ingressos já esgotados para algumas funções!) e o documentário Tropicália (estréia prevista para 2013), de Marcelo Machado, sobre o movimento musical brasileiro dos anos 60. Este documentário poderá ser visto ao ar livre no Anfiteatro do Parque Centenario, com entrada gratuita.

Veja a programação completa do BAFICI 2012 clicando aqui.

Eu amei a retrospectiva do cineasta paulista Rogerio Sganzerla no BAFICI de 2010. Nessa ocasião apresentaram vários  dos seus filmes, entre eles os clássicos O bandido da luz vermelha (1968), um dos filmes mais revolucionários e extraordinários do cinema brasileiro (na minha opinião), e A mulher de todos (1969). A retrospectiva contou com a participação especial da atriz e cineasta Helena Ignez, viúva do diretor e musa de suas principais obras. 

Helena Ignez e Paulo Vilaça no filme "O bandido da luz vermelha"

Sou cinéfila assumida, por isso fico maluca com festivais como este. E vocês, também são fanáticos por cine? Quais os estilos de filme que mais gostam? Contem para a gente!

Fernanda Galli, direto de Buenos Aires, Argentina.

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